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Review: Marvel’s Wolverine – Vale a pena?

capa da review de marvel's wolverine

Desde o anúncio, Marvel’s Wolverine atravessou praticamente todos os tipos de expectativa possíveis. Houve o enorme hype da revelação, a ansiedade pela falta de novidades, o vazamento provocado pelo ataque sofrido pela Insomniac e, mais recentemente, críticas específicas que ganharam um volume considerável antes mesmo de boa parte do público colocar as mãos no jogo.

Pude jogar a campanha completa e, depois de aproximadamente 18 horas no PS5 Pro, sentei para escrever esta review com um pensamento: quero passar aquilo que senti jogando, sem me preocupar em responder ao que outras pessoas elogiaram ou criticaram. Linearidade, duração, preço e várias outras discussões são importantes, mas podem render matérias próprias. Aqui, a pergunta é apenas uma: Marvel’s Wolverine vale a pena?

Capturado pelo site Outra Dimensão

Uma campanha que lentamente vai te prendendo na frente da tela

Em Marvel’s Wolverine, controlamos um Logan experiente que faz parte da Equipe X. Após alguns anos afastado, ele retorna ao lado de Dente de Sabre e Mística em busca de resgatar Nathaniel Essex, líder de um instituto voltado a ajudar mutantes escondidos da sociedade e que foi capturado por Bolivar Trask. Esse é basicamente o resumo da primeira hora e, para evitar spoilers, é o máximo que vou detalhar da história nesta review.

Diferentemente dos títulos de Spider-Man desenvolvidos pela Insomniac, Wolverine segue uma estrutura muito mais linear, dividida em missões que acontecem em diferentes partes do mundo. Não existem missões secundárias tradicionais e são poucos os momentos em que a sensação de urgência desaparece para dar espaço apenas a diálogos ou ao desenvolvimento de personagens. Justamente por isso, também foram poucas as brechas em que senti vontade de parar e continuar no dia seguinte. Em várias ocasiões, a decisão difícil era interromper uma missão no meio simplesmente porque precisava sair um pouco da frente da tela e esticar o corpo.

Capturado pelo site Outra Dimensão

E não digo isso como algo negativo. Pelo contrário: se um jogo consegue manter você envolvido por tantas horas seguidas, existe mérito nisso. Talvez seja justamente daí que venha a percepção de que a campanha é curta. Ela não é exatamente pequena, mas o ritmo provoca aquela sensação de “já acabou?” quando, na realidade, você simplesmente não percebeu as horas passando. A primeira metade é um pouco mais calma, mas, a partir de determinado ponto, a história praticamente não para, nem mesmo nas poucas missões que tentam oferecer alguma tranquilidade.

Apesar de utilizar personagens bastante conhecidos, a Insomniac apostou em uma história própria e conseguiu fazer isso sem abandonar a essência das figuras apresentadas. Algumas decisões certamente vão dividir opiniões, mas o universo construído aqui deixa um espaço interessante tanto para continuações quanto para outros jogos ambientados nele.

Capturado pelo site Outra Dimensão

Direto para a ação

Marvel’s Wolverine é um jogo de ação linear. Não existe um grande mapa para explorar, dezenas de atividades paralelas ou personagens espalhados pelo cenário oferecendo pequenas tarefas. O jogo conduz Logan por capítulos praticamente lineares, deixando apenas pequenos espaços para procurar itens, encontrar caminhos alternativos ou simplesmente parar por alguns segundos para observar o cenário.

Essa estrutura me lembrou bastante uma geração anterior dos jogos da própria PlayStation. É mais próximo de Uncharted 2 do que das áreas abertas de Uncharted 4 e também possui um pouco daquela sensação dos antigos God of War, quando a narrativa conduzia o jogador sem a preocupação constante de apresentar uma atividade secundária diferente.

Capturado pelo site Outra Dimensão

Particularmente, gostei bastante dessa decisão, principalmente porque combina com o personagem. Depois de tantos jogos tentando preencher mapas cada vez maiores, foi interessante encontrar uma aventura preocupada em contar sua história e entregar boas sequências de ação. Ao mesmo tempo, é importante saber disso antes de comprar: se sua expectativa é encontrar um mundo amplo e dezenas de horas de conteúdo paralelo, essa simplesmente não é a proposta.

Um combate que combina com Wolverine

É durante o combate que Wolverine melhor demonstra sua identidade. Os golpes possuem peso, as garras passam a sensação de impacto esperada e as finalizações deixam claro desde cedo que a Insomniac não tentou suavizar o personagem. Alguns confrontos, principalmente os mais cinematográficos, me fizeram lembrar dos antigos God of War, tanto pela brutalidade quanto pela escala de determinadas sequências.

Capturado pelo site Outra Dimensão

A variedade de inimigos também me surpreendeu. Durante as primeiras horas tive a impressão de que os mesmos confrontos seriam repetidos por toda a campanha, mas novos grupos aparecem conforme a história avança e os cenários mudam. Existem mecânicas semelhantes entre alguns deles, porém há variedade suficiente para impedir que todas as batalhas se tornem previsíveis.

Por outro lado, o número de chefes poderia ser maior. As batalhas existentes são boas e algumas estão entre os melhores momentos da campanha, porém normalmente aparecem apenas em grandes viradas da história. Mais confrontos contra subchefes durante os capítulos ajudariam a explorar melhor um sistema de combate que funciona tão bem.

Capturado pelo site Outra Dimensão

A progressão poderia oferecer mais liberdade

Wolverine recebe experiência ao derrotar inimigos e realizar determinadas ações pelos cenários. Conforme sobe de nível, os pontos conquistados podem ser utilizados para liberar técnicas, habilidades passivas e melhorias para golpes já existentes. Existem seis habilidades com tempo de recarga, sendo possível equipar quatro simultaneamente.

Capturado pelo site Outra Dimensão

O jogo claramente não pretende oferecer uma enorme árvore de habilidades. A proposta é mais simples: permitir que o jogador chegue ao final da campanha próximo do máximo, diversificando gradualmente o combate e transmitindo a sensação de que Logan está cada vez mais poderoso. Para uma primeira jornada, funciona. O problema aparece quando pensamos em rejogar a campanha em dificuldades superiores, já que o limite de evolução e customização deixa poucas novidades para serem buscadas.

As aptidões ajudam um pouco nesse aspecto. Elas funcionam como benefícios passivos e são obtidas por meio das Portas do Pesadelo, que também dão acesso a desafios envolvendo combate, travessia e ondas de inimigos. Como não é possível equipar tudo simultaneamente, existe espaço para alterar sua configuração conforme o objetivo, seja encontrar colecionáveis ou melhorar o desempenho nas batalhas.

Capturado pelo site Outra Dimensão

Menos interessante é a implementação dos trajes. Caixas encontradas durante os capítulos fornecem materiais usados para confeccionar novas roupas, e produzir determinada quantidade delas também aumenta a vida de Logan. São dois sistemas que, na minha visão, não precisavam estar conectados. A evolução dos atributos poderia fazer parte do próprio sistema de níveis, enquanto os trajes funcionariam melhor como recompensas de exploração, desafios ou áreas secretas. Isso ainda acrescentaria mais possibilidades para uma segunda campanha.

Inclusive, senti falta de colecionáveis que conversassem melhor com a história do personagem. Capas clássicas dos quadrinhos escondidas pelas fases, por exemplo, seriam uma inclusão simples e muito mais interessante para os fãs da Marvel do que procurar apenas materiais.

Um espetáculo visual

Visualmente, Marvel’s Wolverine impressiona. Joguei no PS5 Pro utilizando o modo fidelidade com ray tracing, VRR e uma tela de 120 Hz. A combinação entregou ótima qualidade de imagem e boa fluidez, sem quedas de desempenho que chamassem minha atenção durante a campanha.

As cinemáticas estão entre os maiores destaques. A câmera frequentemente se aproxima dos personagens e permite observar detalhes de pele, barba, cabelos e expressões faciais. Os cenários também aproveitam muito bem reflexos e iluminação, principalmente em ambientes escuros, nos quais pequenos pontos de luz ganham enorme destaque.

Capturado pelo site Outra Dimensão

O áudio não chama tanta atenção quanto o visual, embora cumpra bem seu papel. A dublagem em português está muito boa, principalmente no caso de Logan, mas existe novamente uma decisão que já me incomodou em outros jogos da PlayStation: manter determinados nomes em inglês. Ouvir “Mystique” e, principalmente, “Sabretooth” em uma localização brasileira continua estranho quando Mística e Dente de Sabre são nomes consolidados há décadas no país.

Também encontrei alguns bugs durante a campanha. A maioria ficou restrita a problemas visuais, mas em duas situações meu progresso foi comprometido. Em uma delas, Wolverine permanecia preso ao descer por uma árvore e reiniciar a missão não resolveu imediatamente. Só consegui continuar depois de ignorar o caminho indicado pelo próprio jogo. Bugs visuais são fáceis de relevar; falhas que obrigam o jogador a interromper ou reiniciar uma sequência merecem uma atenção maior.

Conclusão: Marvel’s Wolverine vale a pena?

A resposta depende principalmente daquilo que você espera encontrar. Se busca um jogo de ação, com combate relativamente simples, mas brutal, acompanhado por uma história cinematográfica, Marvel’s Wolverine vale a pena, principalmente para quem já gosta do personagem ou do universo Marvel. Por outro lado, se o objetivo é encontrar um sistema de combate muito mais profundo, dificuldades extremamente exigentes ou uma experiência centrada em exploração e descobertas, talvez a proposta não agrade da mesma forma.

De forma geral, considero Marvel’s Wolverine abaixo da experiência que a Insomniac entregou com Spider-Man, mas ficar abaixo de algo excelente não significa automaticamente ser ruim. Wolverine possui características próprias e tenta encontrar seu espaço como um jogo de ação direto ao ponto, sem inflar a campanha com conteúdos apenas para aumentar sua duração.

Existe um espaço considerável para melhorias, principalmente na progressão, na quantidade de chefes e no polimento de alguns problemas técnicos. Ainda assim, é um ótimo começo para Wolverine dentro desse universo criado pela Insomniac e, principalmente, uma experiência que entende muito bem qual personagem colocou nas mãos do jogador.

capa da review de marvel's wolverine

Review: Marvel’s Wolverine – Vale a pena?

Um ótimo começo para o personagem, com uma história empolgante, combates brutais e gráficos que impressionam.

8.6 Ótimo

Pontos positivos

  • História empolgante
  • Combate brutal
  • Gráficos impressionantes

Pontos negativos

  • Poucos chefões
  • Alguns bugs
  • Há espaço para mais colecionáveis
História 9.0
Gameplay 8.5
Gráficos 10.0
Conteúdo 7.0
Plataformas: Playstation 5 Gênero: Ação Desenvolvedora: Insomniac Games Tempo de jogo: 18 H

A análise de Marvel’s Wolverine foi produzida graças a uma cópia digital do jogo fornecida pela PlayStation Brasil.

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