Foram 20 longos anos até que a Capcom finalmente trouxesse de volta uma de suas franquias mais aclamadas pelos fãs. Desde o lançamento de Onimusha: Dawn of Dreams, em 2006, no PlayStation 2, a série não recebia um novo capítulo principal. Agora, duas décadas depois, Onimusha: Way of the Sword marca esse aguardado retorno com uma aventura completamente inédita, mas será que a espera valeu a pena? Após mais de 20 horas de jogo, concluímos a campanha principal no PlayStation 5 Pro e trazemos nossas impressões completas nesta review.
Um clássico modernizado

Onimusha: Way of the Sword nos coloca no papel de Miyamoto Musashi, um lendário espadachim japonês que acaba envolvido em um conflito sobrenatural na cidade de Quioto, durante o período Edo. A região foi tomada por uma força maligna conhecida como Miasma, responsável por abrir caminho para os Genma, criaturas demoníacas que espalham o terror entre os habitantes. Em meio aos acontecimentos, Musashi recebe a misteriosa Manopla Oni, um artefato que concede poderes sobrenaturais e o transforma em um Onimusha, um guerreiro capaz de enfrentar essas criaturas e absorver suas almas.
A história segue uma estrutura relativamente tradicional dos jogos de ação e aventura, avançando conforme completamos os principais objetivos da campanha. Entretanto, Way of the Sword apresenta uma diferença importante em relação aos títulos mais antigos. Após um prólogo bastante linear, chegamos a uma região de Quioto que funciona como uma espécie de área central para nossa jornada. É nesse momento que o jogo começa a expandir suas possibilidades, permitindo explorar diferentes caminhos, encontrar atividades secundárias e descobrir novos pontos de interesse. Não chega a ser um mundo aberto, mas a presença de grandes áreas exploráveis oferece uma liberdade consideravelmente maior do que aquela encontrada nos primeiros Onimusha.
Um novo Onimusha

A narrativa cumpre muito bem seu papel. Não estamos diante de uma história extraordinária, daquelas que prendem o jogador durante horas apenas pela curiosidade de descobrir o próximo acontecimento. Ainda assim, o enredo consegue ser interessante, apresenta personagens secundários carismáticos e reserva algumas pequenas reviravoltas durante a jornada. A maneira como esses personagens interagem com Musashi também contribui para enriquecer a aventura. De forma geral, considero que Way of the Sword entrega uma boa história, que respeita a identidade da franquia e oferece motivação suficiente para acompanhar seus acontecimentos até o final.
Uma curiosidade interessante está justamente na escolha de seu protagonista. Desde o primeiro Onimusha, a Capcom mantém a tradição de utilizar a aparência de atores conhecidos para representar seus personagens. Takeshi Kaneshiro serviu como modelo para Samanosuke, enquanto Onimusha 2 utilizou a aparência de Yusaku Matsuda. Já em Onimusha 3, tivemos a memorável participação de Jean Reno. Essa tradição continua em Way of the Sword, que utiliza o rosto do lendário ator japonês Toshiro Mifune para representar Musashi.
A escolha ganha um significado especial porque Mifune já havia interpretado Miyamoto Musashi no cinema, protagonizando o filme Samurai I: Musashi Miyamoto, de 1954, primeiro capítulo da chamada Trilogia Samurai, dirigida por Hiroshi Inagaki. Embora o personagem apresentado pela Capcom seja uma interpretação própria, sem ligação narrativa com os filmes, a referência representa uma bela homenagem ao cinema japonês e reforça uma das tradições mais marcantes da franquia.
Gameplay: o grande destaque de Onimusha

Se a história entrega uma experiência satisfatória, é no combate que Onimusha: Way of the Sword realmente impressiona. A Capcom conseguiu modernizar suas mecânicas sem abandonar a essência que tornou a franquia conhecida. Isso significa que, apesar de algumas semelhanças com jogos como Dark Souls e Sekiro, não estamos diante de mais um soulslike. Way of the Sword preserva sua própria identidade, aproveitando conceitos presentes nos títulos clássicos e ampliando suas possibilidades com os recursos tecnológicos atuais.
Diferentemente dos jogos anteriores, nos quais era possível adquirir diferentes armas ao longo da campanha, aqui Musashi utiliza essencialmente sua espada como arma principal. Isso não significa que o combate seja limitado. Pelo contrário, a quantidade de técnicas e movimentos disponíveis cresce consideravelmente conforme avançamos na aventura. Inicialmente, temos os tradicionais ataques leves e fortes, mas logo começamos a desbloquear novas habilidades que permitem combinar golpes, defesas, esquivas e contra-ataques de maneiras cada vez mais elaboradas.

A defesa também pode ser o melhor ataque
O sistema de defesa merece uma atenção especial. Além de bloquear os ataques inimigos, podemos realizar aparadas ao acertar o momento exato de um golpe. Essa mecânica permite interromper os ataques adversários, reduzir sua resistência e criar oportunidades para executar movimentos devastadores. Conforme conseguimos esgotar essa resistência, o inimigo fica vulnerável a uma execução. Também existe a esquiva perfeita, que recompensa o jogador por escapar dos golpes no instante correto. Com as habilidades apropriadas, essas ações podem abrir espaço para novas sequências ofensivas, incluindo o chamado Combo de Reflexos.

Mas uma das mecânicas mais interessantes é o Issen, tradicional contra-ataque da franquia que ganha uma apresentação espetacular em Way of the Sword. Ao pressionar o botão de ataque no momento exato em que o inimigo está prestes a nos atingir, Musashi consegue executar um golpe extremamente poderoso. Conforme aprimoramos nossas habilidades, também podemos encadear esses ataques, eliminando diferentes adversários em sequência. Dependendo do inimigo, um único golpe pode ser suficiente para derrotá-lo.

É difícil transmitir em palavras o quanto essas sequências são satisfatórias. A movimentação de Musashi, a velocidade dos ataques e a precisão das animações transformam os confrontos em verdadeiras coreografias de espadas. Tudo acontece de maneira extremamente fluida, com golpes visualmente impressionantes e movimentos que demonstram o cuidado da Capcom com cada detalhe. O mais interessante é que o combate consegue ser relativamente simples de compreender, mas oferece uma profundidade considerável para quem deseja dominar suas técnicas.
Mecânicas clássicas também estão presentes nos combates
Além dos movimentos tradicionais, também contamos com as Armas Oni, habilidades especiais que permitem utilizar diferentes armamentos durante os confrontos. Elas não substituem permanentemente nossa espada, funcionando como ataques poderosos que dependem de um medidor específico. Entre as opções disponíveis, encontramos adagas capazes de gerar almas amarelas e um armamento que lança projéteis flamejantes contra os adversários. Essas técnicas possuem características bastante distintas e se encaixam naturalmente nas combinações de golpes, ampliando ainda mais as possibilidades ofensivas.
Outra mecânica clássica que retorna é a absorção de almas por meio da Manopla Oni. Ao derrotar os Genma, podemos absorver as almas liberadas pelos inimigos e utilizá-las para diferentes finalidades. As vermelhas são destinadas aos aprimoramentos, enquanto as amarelas recuperam nossa saúde. Já as almas azuis alimentam o medidor necessário para utilizar as Armas Oni. É um sistema que sempre fez parte da identidade da franquia e continua funcionando muito bem, mantendo aquela dinâmica de derrotar os adversários e rapidamente absorver suas almas antes de prosseguir.
Uma evolução simples mas satisfatória
O jogo também oferece um sistema de aprimoramento concentrado em três equipamentos: a espada, a Manopla Oni e a armadura. Podemos fortalecê-los com materiais encontrados durante a exploração ou obtidos em combates. Além disso, existem amuletos que concedem benefícios passivos e algumas opções de personalização visual para roupas e espadas.
Way of the Sword apresenta uma boa variedade de inimigos, desde criaturas comuns até grandes chefes. Entretanto, alguns adversários especiais, que funcionam como minichefes, aparecem com frequência excessiva. Algo semelhante acontece em determinadas batalhas contra chefes principais, criando uma pequena sensação de repetição. Felizmente, os confrontos são tão divertidos que isso não chegou a comprometer minha experiência, embora possa incomodar outros jogadores.
Apesar da excelente qualidade do combate, a câmera merece uma crítica. Em espaços mais fechados, especialmente quando Musashi fica encurralado, ela pode dificultar a visualização dos ataques inimigos. Em algumas ocasiões, isso chegou a provocar derrotas que poderiam ter sido evitadas. Não é um problema frequente, mas incomoda quando acontece.

Ainda assim, o combate representa facilmente o maior acerto de Onimusha: Way of the Sword. A combinação de movimentos precisos, técnicas especiais e batalhas intensas entrega uma experiência extremamente gratificante, daquelas que fazem você querer enfrentar mais inimigos simplesmente pelo prazer de lutar.
Uma direção de arte que impressiona
A Capcom mantém o alto nível visual de seus últimos lançamentos em Onimusha: Way of the Sword. A RE Engine entrega cenários detalhados, enquanto a direção de arte valoriza a arquitetura e a cultura japonesas em uma Quioto tomada por forças sobrenaturais. No PS5 Pro, onde joguei a campanha, o resultado foi excelente. Mesmo no modo qualidade, com ray tracing ativado, o jogo apresentou uma ótima fluidez e belos efeitos de iluminação.

Outro destaque são as cenas pré-renderizadas, especialmente no encerramento das batalhas contra chefes. As animações impressionam, mas existe um contraste com os gráficos durante a jogabilidade, algo que percebi com mais clareza ao testar a demonstração no Nintendo Switch 2. Isso não prejudica a experiência e até remete à época do PS2, quando as CGs apresentavam uma qualidade visual muito superior à dos jogos.

A apresentação sonora também merece elogios. A trilha musical, com referências à cultura japonesa, intensifica os confrontos contra chefes e ajuda a tornar essas batalhas ainda mais épicas. Os efeitos sonoros completam o trabalho, especialmente nos choques entre espadas, bloqueios e execuções, contribuindo para uma experiência de combate ainda mais satisfatória.
Uma aventura que recompensa a exploração

Outro aspecto que me surpreendeu positivamente foi a quantidade de conteúdo oferecida. Concluí a campanha principal em aproximadamente 20 horas, explorando algumas atividades adicionais ao longo da jornada. É possível terminar a história em menos tempo caso você se concentre exclusivamente nas missões principais, mas Way of the Sword oferece incentivos suficientes para prolongar essa experiência.
As missões secundárias, entretanto, não são necessariamente o ponto mais interessante do jogo. Algumas ajudam a complementar o universo e oferecem informações adicionais sobre determinados personagens, mas poucas conseguiram me conquistar pelo aspecto narrativo. Seu maior atrativo está justamente nas recompensas e nas oportunidades de experimentar o combate, além da possibilidade de encontrar novos materiais e equipamentos.
Como acontece em diversos jogos da Capcom, existe também um incentivo para revisitar a campanha em dificuldades mais elevadas, aperfeiçoar as técnicas e buscar novos desafios. Entretanto, considero que Way of the Sword possui uma diferença importante em relação a outros lançamentos recentes da empresa. Enquanto títulos como Pragmata e Resident Evil Requiem apostam em campanhas mais curtas e estimulam novas partidas, Onimusha oferece uma aventura consideravelmente maior já na primeira experiência.

Conclusão: Onimusha: Way of the Sword vale a pena?
Onimusha: Way of the Sword marca um retorno triunfal da franquia após 20 anos de espera. A Capcom conseguiu superar minhas expectativas ao entregar um excelente jogo de ação, com um combate extremamente divertido e uma experiência que faz jus ao legado da série. Mesmo com pequenos problemas, é um título que merece a atenção tanto dos fãs antigos quanto dos novos jogadores e que, sem dúvidas, tem lugar entre os melhores lançamentos de 2026.
Review: Onimusha: Way of the Sword – Vale a pena?
Onimusha: Way of the Sword supera as expectativas ao entregar um combate fantástico, uma excelente apresentação audiovisual e uma aventura repleta de conteúdo. Apesar de alguns problemas com a câmera e da repetição de determinados inimigos, a Capcom conseguiu resgatar a franquia com um excelente jogo de ação, que merece estar entre os melhores lançamentos de 2026.
Pontos positivos
- Combate extremamente divertido, fluido e satisfatório.
- Excelente apresentação visual e direção de arte.
- Boa quantidade de conteúdo e exploração.
- Trilha sonora marcante, especialmente nas batalhas contra chefes.
Pontos negativos
- Câmera atrapalha em determinados confrontos.
- Repetição excessiva de alguns inimigos e chefes.
- Missões secundárias pouco interessantes narrativamente.
A análise de Onimusha: Way of the Sword foi produzida graças a uma cópia do jogo para PS5 e obtida pelo próprio site.
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