Sem aviso prévio, Sonic Frontiers recebeu uma versão própria para Nintendo Switch 2 no dia 23 de junho. Intitulada Sonic Frontiers – Edição Definitiva, ela reúne o jogo-base, as atualizações gratuitas e diferentes conteúdos lançados anteriormente. Tivemos acesso a essa nova versão e pudemos testá-la. Nesta review de Sonic Frontiers no Nintendo Switch 2, analisamos tanto a experiência original quanto o desempenho no novo console da Nintendo. Afinal, Sonic Frontiers ainda vale a pena? E, principalmente, a Edição Definitiva entrega uma melhoria suficiente em relação à versão do primeiro Nintendo Switch?
História
Sonic Frontiers coloca o ouriço azul em um lugar misterioso enquanto ele procura pelas Esmeraldas do Caos. Ao mesmo tempo, seus amigos permanecem presos em uma espécie de realidade alternativa conhecida como Ciberespaço. A história avança aos poucos durante a exploração das ilhas. Sonic encontra versões digitais de personagens conhecidos e tenta compreender o que aconteceu naquele lugar.
O enredo não abandona a simplicidade característica da série, mas apresenta uma atmosfera mais melancólica. O jogo também reserva momentos interessantes para quem acompanha a franquia há bastante tempo. E a campanha pode ser concluída em cerca de 8 horas.

As Esmeraldas do Caos ocupam uma posição central na campanha. Sonic precisa reunir todas elas para obter o poder necessário e enfrentar os grandes chefes de cada região. Quem conhece o personagem pelos jogos ou filmes provavelmente já sabe o que acontece quando todas as esmeraldas são reunidas. A presença do Super Sonic se torna indispensável para a história e rende alguns dos melhores momentos da aventura. Ainda assim, a forma como essa transformação aparece poderia receber um pouco mais de desenvolvimento. Não entraremos em mais detalhes para evitar spoilers.
Gameplay
Uma nova direção para Sonic
Sonic Frontiers apresenta uma direção diferente para o ouriço azul. Em vez de seguir apenas uma sequência tradicional de fases, o jogo oferece grandes áreas abertas, repletas de atividades e caminhos para explorar. Para quem procura outra experiência recente com o personagem, também testamos Sonic Racing em nossa review.
A campanha se divide entre diferentes ilhas, que funcionam quase como os mundos dos jogos clássicos de plataforma. Cada uma apresenta um bioma próprio, novos inimigos e mistérios que precisam ser solucionados.

Como acontece em muitos jogos de mundo aberto, é possível passar horas procurando segredos e atividades espalhadas pelo cenário. Mesmo quando o objetivo principal está próximo, algum trilho, plataforma ou desafio costuma chamar a atenção pelo caminho. Essa liberdade combina com a velocidade do Sonic, mas também gera alguns problemas. Ao se deslocar rapidamente, não é difícil ultrapassar um objetivo ou sair completamente da rota planejada. Em determinados momentos, o excesso de impulso também dificulta movimentos que exigem maior precisão. Apesar disso, esses problemas não comprometem a experiência como um todo.
Exploração e abertura do mapa
Para revelar o mapa de cada ilha, o jogador precisa concluir pequenos desafios indicados pelo cenário. Essas atividades funcionam como puzzles rápidos e apresentam propostas variadas. Alguns exigem acertar esferas em alvos, seguir trajetos para ativar botões ou pressionar placas luminosas na ordem correta. Outros aproveitam diretamente a velocidade do personagem. Resolver esses desafios revela novas partes do mapa e facilita a localização de objetivos próximos. Eles não oferecem muita dificuldade, mas ajudam a criar um ritmo constante de pequenas descobertas.

A exploração também permite melhorar os atributos de Sonic. Durante a jornada, o jogador encontra pequenos seres conhecidos como Kocos, que podem ser levados aos anciões espalhados pelas ilhas. Em troca, Sonic consegue aumentar atributos como velocidade e capacidade de carregar anéis. Outros itens encontrados pelo mapa permitem melhorar seu ataque e sua defesa. O sistema lembra, em alguns pequenos aspectos, a progressão encontrada em jogos como The Legend of Zelda: Breath of the Wild.
Combate e habilidades
O combate ocupa uma posição importante em Sonic Frontiers. Não basta apenas pular sobre os inimigos, como acontecia em muitas aventuras clássicas do personagem. Sonic possui diferentes golpes e habilidades capazes de formar combos. Esses ataques servem tanto para derrotar pequenos adversários quanto para enfrentar criaturas gigantes que ocupam boa parte da tela.
Uma das principais habilidades é o Cyloop. Ao correr em círculos, Sonic deixa um rastro de luz no chão e cria um anel ao redor do alvo. O recurso pode remover a proteção de inimigos, lançar adversários no ar ou ativar mecanismos encontrados durante a exploração. Por isso, o Cyloop funciona tanto como ferramenta de combate quanto de solução de desafios.

Novas técnicas podem ser liberadas por meio de pontos obtidos ao derrotar inimigos e explorar as ilhas. A árvore de habilidades não é muito extensa, mas apresenta golpes úteis e visualmente interessantes.
O sistema não oferece uma profundidade comparável à de um jogo totalmente focado em ação. Ainda assim, ele adiciona variedade suficiente para que os confrontos não dependam apenas dos ataques mais tradicionais do personagem.
O retorno às fases tradicionais
Além das atividades nas áreas abertas, Sonic Frontiers apresenta portais que levam às fases do Ciberespaço. Esses estágios recuperam a estrutura mais tradicional da franquia, com trechos em 2D e 3D. É possível enxergar Frontiers como uma ampliação da fórmula antiga. Antes, o jogador utilizava um mapa ou menu para escolher uma fase. Agora, precisa explorar a região para encontrar os pontos de acesso.

Essas fases também cumprem uma função importante na progressão. Ao completar objetivos, o jogador recebe chaves usadas para liberar os cofres que guardam as Esmeraldas do Caos. Cada estágio oferece metas como concluir o percurso dentro de determinado tempo, coletar anéis ou encontrar todos os anéis vermelhos. Dessa forma, existe um incentivo para repetir as fases e melhorar o desempenho.
As áreas do Ciberespaço oferecem uma mudança de ritmo bem-vinda. Elas também representam alguns dos momentos em que o controle mais preciso e a fluidez se tornam especialmente importantes.
A repetição começa a aparecer
A estrutura de Sonic Frontiers inevitavelmente se torna repetitiva depois de algumas horas. Os mapas ficam carregados de ícones, desafios e objetos colecionáveis. Com o tempo, muitas atividades começam a parecer variações das mesmas ideias. A repetição fica ainda mais evidente quando o jogador tenta concluir tudo o que aparece em cada região.
Mesmo assim, depois das primeiras horas, algo no jogo me incentivou a continuar explorando. Existe uma sensação constante de que algum segredo, desafio ou caminho diferente está logo à frente.
Sonic Frontiers funciona melhor quando jogado com calma, apesar da velocidade de seu protagonista. Tentar limpar o mapa rapidamente pode tornar a repetição mais cansativa. A experiência se torna mais agradável quando o jogador alterna entre exploração, combate, história e fases do Ciberespaço.
Trilha sonora e ambientação
A trilha sonora apresenta boas músicas e acompanha alguns dos momentos mais épicos da aventura. As batalhas contra grandes inimigos se destacam justamente pela combinação entre escala, velocidade e música.
Por outro lado, falta equilíbrio em algumas cenas. Existem momentos nos quais o áudio se torna silencioso demais, criando a impressão de que faltam músicas ou efeitos sonoros. Essa ausência pode contribuir para a atmosfera solitária das ilhas, mas nem sempre parece uma escolha intencional. Em algumas sequências, o silêncio enfraquece cenas que poderiam causar um impacto maior.
Ainda assim, a trilha funciona muito bem quando o jogo exige intensidade. Os confrontos mais importantes estão entre os pontos altos de Sonic Frontiers.
A versão de Nintendo Switch 2
Depois desse panorama geral, chegamos ao principal foco desta review: a versão de Sonic Frontiers para Nintendo Switch 2. É justamente aqui que a situação começa a desandar.
Sonic Frontiers continua sendo um bom jogo, mesmo com seus problemas. Entretanto, a Edição Definitiva para Switch 2 apresenta limitações que dificultam justificar esse novo lançamento.
Comparada à versão do primeiro Nintendo Switch, existe uma evolução evidente. A imagem está mais limpa, os ambientes apresentam maior qualidade e o desempenho pode alcançar uma taxa de quadros mais alta. Mesmo assim, o resultado parece abaixo do que o novo console híbrido da Nintendo poderia oferecer. A impressão é de uma conversão que melhora a versão anterior, mas não aproveita completamente o hardware do Switch 2.
Modo qualidade
A versão apresenta dois modos gráficos: qualidade e desempenho. No modo qualidade, Sonic Frontiers funciona a 30 quadros por segundo. Durante nossos testes, o desempenho se manteve satisfatório e não apresentou muitas quedas perceptíveis.
A imagem possui maior definição e as áreas abertas ficam visualmente mais agradáveis. Para explorar as ilhas, esse foi o modo que considerei mais confortável. Apesar da taxa de quadros mais baixa, o modo qualidade oferece uma apresentação mais consistente. Durante boa parte do teste, essa foi minha configuração preferida.

O problema aparece nas fases tradicionais do Ciberespaço. Como elas exigem movimentos rápidos e maior precisão, a menor fluidez começa a atrapalhar. Nesses momentos, eu acabava mudando para o modo desempenho.
Modo desempenho
O modo desempenho eleva a taxa de quadros para 60 fps, tornando os movimentos e comandos muito mais fluidos. A diferença fica evidente assim que Sonic começa a correr. O controle responde melhor e as fases tradicionais se tornam mais agradáveis.
Entretanto, o aumento de fluidez causa uma redução muito grande na qualidade da imagem. A resolução cai de maneira perceptível, principalmente durante a exploração das áreas abertas. Em alguns momentos, a sensação é de estar jogando a versão do primeiro Nintendo Switch com algumas melhorias. A imagem fica abaixo do esperado para um jogo rodando no novo console.

Nas fases do Ciberespaço, a queda de resolução incomoda menos. Como esses estágios apresentam ambientes menores e uma estrutura mais linear, a fluidez acaba falando mais alto.
O problema é precisar alternar entre os modos para encontrar a melhor experiência em cada parte do jogo. O modo qualidade oferece uma imagem melhor, mas limita a fluidez. O modo desempenho entrega 60 fps, mas compromete demais a resolução.
Veredito: Sonic Frontiers no Nintendo Switch 2 vale a pena?
Sonic Frontiers continua sendo um bom jogo, apesar da repetição e de alguns problemas na exploração. A versão para Nintendo Switch 2 melhora o lançamento original, mas ainda fica abaixo do potencial do console.
O modo qualidade oferece uma imagem melhor, enquanto o modo desempenho entrega mais fluidez porém com uma queda significativa na resolução. Não é uma versão ruim ou injogável, mas esperava um pouco mais.
Para novos jogadores, ainda existe uma boa aventura aqui. Para quem já possui o jogo no primeiro Switch, os motivos para comprar novamente são poucos.
Review: Sonic Frontiers – Edição Definitiva no Nintendo Switch 2 vale a pena?
É um avanço em relação a versão do console antigo, mas ainda necessita de muitas melhorias para tirar todo o potencial da máquina híbrida da Nintendo.
Pontos positivos
- Muito conteúdo
- Fases e desafios diferenciados
Pontos negativos
- Visual no modo performance
- Cai em repetição
- Alguns desafios simples de mais
Essa review foi feita graças a uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Sega. Toda a análise foi feita em um Nintendo Switch 2

















