O famoso dinossaurinho verde da Nintendo já protagoniza jogos desde os tempos de Super Nintendo Entertainment System com Yoshi’s Island. Sempre apostando em propostas criativas, Yoshi and the Mysterious Book mantém essa tradição ao entregar uma aventura 2D recheada de segredos, exploração e mecânicas únicas. Após concluir a campanha principal e explorar o conteúdo pós-game, esta análise detalha exatamente o que esperar de Yoshi and the Mysterious Book e responde à pergunta principal: vale a pena?
Uma aventura diferente do que se imagina
Em Mysterious Book, Yoshi precisa investigar as páginas do livro que dá nome ao game para descobrir os segredos envolvendo diferentes espécies e personagens ao longo de seis capítulos — ou talvez mais. Cada capítulo funciona como o equivalente aos tradicionais “mundos” dos jogos de plataforma, mas a estrutura aqui é muito menos linear do que se espera do gênero.
Para acessar novos capítulos, é necessário alcançar uma quantidade específica de estrelas. Essas estrelas são obtidas ao cumprir objetivos escondidos dentro das fases, e esse é justamente o grande diferencial do jogo: descobrir seus segredos faz parte central da experiência.

Não existe exatamente uma linha de chegada tradicional. Cada fase possui um objetivo principal, mas muitas vezes é possível concluí-lo rapidamente sem sequer explorar toda a área. O foco do game está muito mais na curiosidade e na experimentação do que em simplesmente avançar até o final do percurso.
Essa proposta fica ainda mais evidente porque o jogo abandona completamente o tradicional mapa de fases. Em vez disso, o jogador analisa as páginas do livro e escolhe qual espécie deseja investigar. Cada investigação revela habilidades inéditas e ainda permite nomear as criaturas descobertas.

Um enorme parque de diversões
De forma simples, Mysterious Book funciona quase como um enorme parque de diversões. Cada área apresenta ideias novas, tanto visualmente quanto em termos de jogabilidade. E é justamente nessa criatividade que o jogo entrega seus melhores momentos — embora também revele alguns de seus problemas.
Em uma fase, por exemplo, Yoshi utiliza um tipo de pólen capaz de enfraquecer pedras ou absorver água para liberar novos caminhos. Pouco depois, o jogador já está criando bolhas para se locomover verticalmente em outra área totalmente diferente. O game praticamente introduz uma nova mecânica a cada fase, o que torna a aventura constantemente surpreendente.

As ideias funcionam muito bem isoladamente, mas existe uma sensação de desconexão entre elas. Muitas mecânicas aparecem apenas uma vez e raramente conversam entre si. Isso acaba prejudicando a sensação de progressão e até mesmo o envolvimento com a narrativa principal.
Mesmo existindo um antagonista central, a impressão ao finalizar a campanha é de que o verdadeiro objetivo do jogo não é derrotar um grande vilão, mas sim descobrir espécies inéditas e experimentar novas formas de jogar. Dependendo da expectativa do jogador, isso pode ser algo extremamente positivo — ou uma decepção.
Visual encantador e muitos segredos para explorar
Visualmente, o jogo aposta em uma direção artística que remete a desenhos feitos à mão com lápis de cor. O resultado é lindo e cheio de personalidade. A escolha de animar os personagens com uma taxa de quadros mais baixa também combina perfeitamente com a proposta visual, reforçando a sensação de estar folheando um livro ilustrado interativo.
Apesar do excelente trabalho artístico, este definitivamente não é um jogo criado para demonstrar o potencial técnico do Nintendo Switch 2. O foco aqui está muito mais no charme visual do que em gráficos de ponta.

Também vale destacar a ótima localização em português do Brasil. Os textos são criativos, naturais e ajudam bastante na construção do humor do jogo. Inclusive, o sistema de nomear espécies rende alguns momentos divertidos graças às sugestões feitas pelo próprio Livro Enigmático.

Em relação ao conteúdo, a campanha principal pode ser dividida em dois atos. Inicialmente, os seis capítulos parecem relativamente curtos e podem ser concluídos em cerca de quatro horas caso o jogador siga apenas os objetivos mínimos. Porém, explorar os desafios escondidos e buscar todos os segredos aumenta consideravelmente a duração.
Além disso, o jogo guarda boas surpresas após os créditos. Existe uma quantidade significativa de conteúdo adicional que expande a experiência e dá mais valor para quem pretende completar tudo. No geral, Mysterious Book acaba sendo maior e mais recheado do que aparenta em um primeiro momento.

Conclusão: Yoshi and the Mysterious Book vale a pena?
Yoshi and the Mysterious Book é um jogo difícil de definir dentro dos padrões tradicionais do gênero de plataforma. Ele não busca ser uma aventura focada em ação constante, desafios lineares ou progressão convencional.
Quem procura uma experiência semelhante aos jogos clássicos de plataforma, baseada em superar obstáculos até alcançar o final da fase, provavelmente ficará frustrado. Por outro lado, jogadores que gostam de exploração, experimentação e mecânicas criativas devem encontrar aqui uma experiência extremamente charmosa e diferente.
No fim, Mysterious Book funciona melhor quando encarado como um grande playground de ideias. Nem todas funcionam perfeitamente juntas, mas a criatividade constante faz com que a aventura permaneça interessante do início ao fim.

Review: Yoshi and the Mysterious Book – Vale a pena?
Apesar de não ser um jogo para todos os públicos, ele entrega uma experiência excelente para quem aprecia exploração e a descoberta constante de novas mecânicas.
Pontos positivos
- Direção de arte caprichada
- Muitas mecânicas criativas
- Textos em português
Pontos negativos
- Performance poderia ser melhor
- Alguns bugs que te prendem no mapa
- História existe mas fica em segundo plano
Essa review foi feita com uma cópia do jogo rodando no Nintendo Switch 2.
Yoshi and the Mysterious Book já está disponível para Nintendo Switch 2.


















