A saída da PlayStation de PHYSINT surpreendeu pela forma como aconteceu. A PlayStation encerrou sua participação no projeto e, pouco depois, a Xbox anunciou que assumiria a publicação do novo jogo de Hideo Kojima. Agora, novas informações começam a explicar o que teria levado a Sony a tomar essa decisão.
A PlayStation afirmou apenas que tomou a decisão após uma “cuidadosa consideração”. A empresa não apresentou publicamente os motivos para abandonar o projeto e afirmou que sua relação com Kojima continua forte.
Hideo Kojima, porém, revelou um pouco mais sobre os bastidores. Segundo o diretor, a Kojima Productions recebeu inesperadamente, em meados de junho, a informação de que a PlayStation Studios cancelaria PHYSINT.
O estúdio passou então cerca de três meses procurando outra empresa disposta a manter o projeto. A resposta veio da Xbox, que confirmou oficialmente que será responsável pela publicação do jogo.
Agora, uma nova reportagem de Jason Schreier para a Bloomberg começa a explicar por que a Sony teria tomado uma decisão tão incomum.
Orçamento, atrasos e retorno financeiro teriam pesado na decisão
Segundo fontes familiarizadas com o desenvolvimento ouvidas pela Bloomberg, a PlayStation tinha preocupações com três pontos principais: orçamento, potencial de retorno financeiro e exclusividade.
Um dos fatores citados pelas fontes seria o desempenho comercial dos dois jogos anteriores da Kojima Productions publicados pela Sony. De acordo com a reportagem, Death Stranding e Death Stranding 2: On the Beach não alcançaram as expectativas de receita da PlayStation.
Isso não significa que os jogos deram prejuízo. A informação obtida pela Bloomberg é especificamente que a receita ficou abaixo das expectativas internas da Sony.
As preocupações também estariam relacionadas ao próprio desenvolvimento de PHYSINT. Segundo as fontes, o projeto já havia perdido prazos internos e caminhava para ultrapassar consideravelmente seu orçamento, apesar de ainda estar a anos do lançamento.
Outro ponto teria sido a exclusividade. A PlayStation estaria relutante em investir centenas de milhões de dólares em um projeto que não permaneceria permanentemente em seu ecossistema.
Os dois Death Stranding começaram suas trajetórias como exclusivos temporários da PlayStation antes de chegarem a outras plataformas. A Kojima Productions também mantém o controle sobre suas propriedades intelectuais.
A reportagem original de Jason Schreier pode ser consultada na Bloomberg.
Death Stranding 2 estreou abaixo do primeiro jogo?
Não existem números mundiais oficiais de lançamento dos dois jogos que permitam uma comparação direta. Por isso, afirmar que Death Stranding 2 “fracassou” com base apenas em estimativas seria precipitado.
Existem, porém, mercados nos quais podemos comparar os dois jogos usando exatamente a mesma fonte e metodologia.
No Japão, a Famitsu acompanha semanalmente as vendas físicas. Os números mostram uma diferença considerável entre os lançamentos.
| Período | Death Stranding | Death Stranding 2 |
|---|---|---|
| Estreia no Japão | 185.909 | 71.964 |
| Cerca de um mês | 248.746 | 93.117 |
O primeiro Death Stranding vendeu 185.909 cópias físicas entre 8 e 10 de novembro de 2019. Death Stranding 2 registrou 71.964 unidades entre 26 e 29 de junho de 2025.
Isso representa uma queda de aproximadamente 61% na estreia japonesa, mesmo com a sequência tendo um dia adicional no levantamento inicial.
A diferença continuou praticamente no mesmo nível nas semanas seguintes. Aproximadamente um mês depois do lançamento, o primeiro jogo acumulava 248.746 cópias físicas no Japão.
No mesmo período de sua trajetória, Death Stranding 2 havia alcançado 93.117 unidades. A diferença fica em aproximadamente 62,6%.
O Japão não foi o único mercado no qual a sequência começou abaixo do original. No Reino Unido, as vendas físicas de lançamento de Death Stranding 2 ficaram 66% abaixo das registradas pelo primeiro jogo.
Death Stranding 2 estaria vendendo metade do primeiro no mesmo estágio
Segundo estimativas publicadas pela empresa em setembro de 2026, Death Stranding 2 alcançou cerca de 2,5 milhões de cópias desde o lançamento. A divisão estimada seria de 1,8 milhão no PlayStation e 700 mil no Steam.
A empresa calcula uma receita bruta de aproximadamente US$ 170 milhões para o jogo, sendo cerca de US$ 129 milhões provenientes das versões PlayStation.
A comparação com o primeiro título chama atenção. De acordo com a Alinea, Death Stranding estava próximo de 5 milhões de cópias no estágio equivalente de sua trajetória comercial.
Isso colocaria a sequência em aproximadamente metade das vendas alcançadas pelo original durante um período comparável. Novamente, são estimativas da Alinea, e não dados divulgados pela Sony ou pela Kojima Productions.
Os números ajudam a explicar PHYSINT, mas não contam toda a história
A queda nas vendas físicas e as estimativas da Alinea oferecem contexto para a informação publicada pela Bloomberg. Elas não provam, isoladamente, que Death Stranding 2 provocou o fim da parceria.
O ponto levantado pelas fontes de Jason Schreier é mais amplo. A PlayStation teria analisado o retorno dos projetos anteriores enquanto PHYSINT já enfrentava atrasos e apresentava risco de ultrapassar seu orçamento.
Nesse cenário, a Sony também teria que assumir um investimento de centenas de milhões de dólares sem garantir exclusividade permanente sobre o jogo.
A combinação desses fatores ajuda a entender por que a empresa decidiu sair, mesmo depois de apresentar PHYSINT publicamente como uma de suas grandes parcerias com Hideo Kojima.
Para a Kojima Productions, entretanto, o projeto segue vivo. A Xbox confirmou oficialmente que publicará PHYSINT e afirmou que a nova colaboração amplia a relação iniciada com OD.
Até o momento, Xbox e Kojima Productions não anunciaram as plataformas nem uma data de lançamento para PHYSINT.
















