À primeira vista, Ultrapool parece ser apenas um pequeno e descontraído jogo de sinuca. Desenvolvido pela Icedrop Games e publicado pela offbrand games, o título pega uma mesa, algumas bolas e uma mecânica que qualquer pessoa consegue entender rapidamente. A diferença é que, depois das primeiras tacadas, ele começa a transformar essas regras conhecidas em algo completamente diferente ao misturar sinuca com elementos de roguelike.
Não existe aqui a preocupação em reproduzir uma partida tradicional. Ultrapool usa a sinuca apenas como ponto de partida para um jogo de estratégia no qual cada rodada pode mudar completamente de acordo com as bolas escolhidas, os efeitos disponíveis e as combinações criadas pelo jogador.
Uma sinuca em que encaçapar é só o começo
A base continua extremamente simples: mirar, controlar a força da tacada e colocar as bolas nas caçapas. Porém, em vez de simplesmente limpar a mesa, cada rodada estabelece uma pontuação mínima que precisa ser alcançada. As próprias bolas possuem valores diferentes e, conforme avança no jogo, essa exigência aumenta.
É aí que Ultrapool começa a mostrar sua verdadeira proposta. Entre uma rodada e outra, novas bolas aparecem aleatoriamente para compra e passam a fazer parte do conjunto utilizado nas próximas mesas. Algumas simplesmente possuem um valor maior, enquanto outras apresentam habilidades que alteram completamente a maneira de pensar uma jogada. Aos poucos, a partida deixa de ser apenas sobre acertar uma boa tacada e passa a envolver a construção de uma combinação capaz de produzir cada vez mais pontos.

Nas primeiras mesas que joguei, por exemplo, a pontuação necessária para avançar ainda era pequena. Como comecei com apenas três bolas bastante simples, minha primeira estratégia foi investir naquelas que geravam pontos ao colidir com outras. Durante algum tempo funcionou muito bem, até que as exigências das rodadas começaram a crescer e aquela combinação já não era suficiente.
Foi justamente nesse momento que comecei a experimentar mais o que o jogo oferecia.
Cada bola pode mudar completamente uma partida
Quanto mais você avança, mais estranhas ficam as possibilidades. Existem bolas capazes de aumentar o valor das caçapas, outras que multiplicam elementos presentes na mesa, algumas que se movimentam de maneiras inesperadas e várias que modificam valores, velocidade ou comportamento de outras bolas. Com tantas variáveis acontecendo ao mesmo tempo, uma tacada aparentemente simples pode acabar gerando uma sequência de efeitos muito maior do que o esperado.

Isso também muda a relação com a aleatoriedade. Nem sempre aparecem exatamente as bolas necessárias para continuar uma estratégia anterior e, em vez de simplesmente repetir a mesma combinação em todas as partidas, o jogador precisa observar o que recebeu e pensar em como aproveitar aquilo. É quase como montar um baralho em um roguelike, só que as cartas são bolas de sinuca que precisam realmente interagir dentro da mesa.
O mais interessante é que o sistema continua adicionando novas camadas. As bolas podem evoluir e algumas delas também podem ser combinadas, criando efeitos ainda mais específicos. Dessa forma, aquela proposta que parecia extremamente básica nos primeiros minutos começa a abrir espaço para partidas cada vez mais diferentes.

Não é necessário conhecer profundamente sinuca para aproveitar tudo isso. Entender ângulos certamente ajuda, principalmente quando você começa a planejar colisões envolvendo várias bolas, mas Ultrapool não tenta transformar cada jogada em uma simulação precisa do esporte. A diversão está muito mais em descobrir uma combinação absurda e encontrar uma maneira de fazê-la funcionar.
Simples o bastante para começar, variado o bastante para continuar
Talvez o maior mérito de Ultrapool esteja justamente em conseguir transformar uma ideia tão simples em algo que incentiva constantemente a experimentação. Uma partida começa com poucas opções, mas logo você está observando efeitos, calculando quais bolas devem entrar no conjunto e tentando descobrir se aquela combinação aparentemente estranha pode produzir uma pontuação absurda.
Existe, naturalmente, bastante repetição na estrutura. Você sempre estará mirando, realizando tacadas, comprando novas bolas e tentando superar uma pontuação maior na rodada seguinte. A questão é que os elementos colocados sobre essa estrutura mudam constantemente. Para quem gosta da sensação de experimentar novas combinações e descobrir sistemas aos poucos, essa repetição acaba funcionando como incentivo para iniciar outra partida.

Mesmo depois de várias tentativas, ainda havia bolas, combinações e possibilidades que eu não tinha explorado. E talvez essa seja uma maneira melhor de explicar o que Ultrapool consegue fazer: não é necessariamente um jogo que impressiona pelo tamanho, mas pela quantidade de coisas que consegue extrair de uma mesa de sinuca.
Afinal, Ultrapool vale a pena?
Sabe aquele jogo que você abre pensando em gastar alguns minutos e percebe, muito tempo depois, que ainda está tentando “só mais uma partida”? Ultrapool se encaixa perfeitamente nessa categoria.
A Icedrop Games pega uma mecânica imediatamente reconhecível e encontra uma maneira inteligente de transformá-la em algo próprio. Encaçapar uma bola continua sendo satisfatório, mas descobrir que aquela mesma tacada iniciou uma sequência de efeitos capaz de multiplicar sua pontuação é ainda melhor.
Ultrapool não precisa complicar sua proposta para funcionar. Ele começa como um simples jogo de sinuca e, aos poucos, revela um sistema de estratégia surpreendentemente amplo, divertido e difícil de abandonar. Mesmo depois de encerrar esta análise, ainda ficaram combinações que quero testar e novas possibilidades para descobrir. Para um jogo construído em torno da ideia de repetir partidas, talvez não exista elogio melhor.
Ultrapool chega ao PC via Steam, App Store e Play Store em 25 de Agosto. Para fins de análise, foi utilizada uma chave do jogo para Steam gentilmente cedida pela desenvolvedora.

















