Home / Review / Review: Marvel Tōkon: Fighting Souls – Vale a pena?

Review: Marvel Tōkon: Fighting Souls – Vale a pena?

Marvel Tōkon: Fighting Souls é o novo jogo de luta da Arc System Works que reúne heróis e vilões da Marvel em combates 4 contra 4. Após jogar a campanha e testar seus diferentes modos, esta review apresenta os principais pontos positivos e negativos para descobrir se o título vale a pena.

Uma história em quadrinhos que ganha vida

Quando se fala em jogos de luta, a maior preocupação costuma envolver o elenco disponível e as mecânicas de combate. Com o tempo, algumas produções também começaram a investir em narrativas mais elaboradas, oferecendo campanhas capazes de atrair outro tipo de público.

Mortal Kombat 9 foi um dos primeiros jogos que realmente me chamou a atenção nesse aspecto. Desde então, passei a enxergar a campanha como uma parte importante da experiência. Com Marvel Tōkon: Fighting Souls não foi diferente. Desde o início, o modo que mais despertava minha curiosidade era Episódios, responsável pela história do jogo.

Eu já havia experimentado uma parte desse conteúdo durante a beta aberta. Na ocasião, tive algumas impressões que acabaram se confirmando na versão completa.

O modo Episódios apresenta sua narrativa como uma história em quadrinhos animada. As imagens surgem na tela como quadros de uma página, acompanhadas pelos diálogos dos personagens. Quando a sequência termina, a página vira e a leitura continua até chegar ao próximo combate.

trecho da campanha de Marvel Tokon mostrando o Spider Man
Capturado pelo site Outra Dimensão

O jogo possui cinco episódios, cada um dedicado a uma das equipes predefinidas. Cada campanha conta com 11 capítulos. As lutas aparecem entre as sequências narrativas e mostram a formação dos grupos antes do confronto contra a principal ameaça da história.

A ideia de transformar a campanha em uma história em quadrinhos interativa combina perfeitamente com o universo da Marvel. O problema está no conteúdo dessas páginas. A narrativa é fraca, algumas decisões parecem forçadas e a formação de determinadas equipes não convence.

Modo Episódios de Marvel Tokon
Capturado pelo site Outra Dimensão

Vários acontecimentos também aparecem novamente sob o ponto de vista de outros grupos. A repetição até poderia ampliar a compreensão da história, mas normalmente apenas torna a experiência mais cansativa. Depois de algum tempo, fica a sensação de que o modo existe apenas para justificar uma campanha.

Um jogo de luta não precisa colocar sua história acima dos combates. Ainda assim, quando a desenvolvedora oferece uma campanha relativamente extensa, é natural esperar algo mais envolvente. O formato visual merece elogios, mas o roteiro não consegue acompanhá-lo.

Combates 4 contra 4 renovam o gênero

Deixando a campanha de lado, Marvel Tōkon: Fighting Souls começa a mostrar suas maiores qualidades. A principal delas está na proposta de construir confrontos entre equipes de quatro personagens sem simplesmente repetir o formato tradicional dos jogos de luta em duplas.

Cada equipe compartilha uma única barra de vida. No início da partida, o jogador possui acesso ao líder e a um personagem de apoio. Os outros dois integrantes entram gradualmente após transições de cenário, quebras de parede ou a derrota em um dos rounds.

Combate entre Ghost Rider e Captain America em Marvel Tokon
Capturado pelo site Outra Dimensão

Com os integrantes disponíveis, é possível solicitar assistências, prolongar sequências e trocar o lutador ativo. Isso faz com que a equipe cresça durante o confronto e evita que oito personagens disputem espaço na tela desde os primeiros segundos.

Os comandos também encontram um bom equilíbrio entre acessibilidade e profundidade. As entradas simplificadas permitem executar golpes e iniciar combos com poucas combinações de botões. Já os comandos tradicionais causam mais dano e geram mais recursos, recompensando quem deseja dominar o sistema.

Jogadores casuais conseguem produzir sequências visualmente impressionantes sem memorizar uma lista enorme de movimentos. Ao mesmo tempo, isso não elimina o espaço para técnicas avançadas. Montar uma equipe eficiente, administrar as assistências e entender quando trocar de personagem exige bastante prática.

Como não poderia faltar em um jogo estrelado por super-heróis e vilões, as habilidades especiais também recebem bastante destaque. Cada integrante possui ataques próprios, enquanto os golpes supremos utilizam animações espetaculares e transformam alguns segundos da luta em um verdadeiro evento.

Personagem Storm de Marvel Tokon
Capturado pelo site Outra Dimensão

Heróis da Marvel em estilo anime

O visual de Marvel Tōkon: Fighting Souls é incrível. Os personagens apresentam muitos detalhes, enquanto as animações conseguem transmitir o peso e a personalidade de cada golpe. Mesmo com vários lutadores aparecendo simultaneamente, é possível acompanhar o que acontece na tela.

Os cenários também são bonitos e contam com transições que mudam o local da batalha. Entretanto, em alguns momentos tive a sensação de que os ambientes estavam desfocados. Isso pode até ser uma escolha para manter os personagens em evidência, mas causa certa estranheza em determinadas arenas.

Mais do que a qualidade gráfica, o grande destaque está na direção artística. A Arc System Works poderia ter seguido o caminho mais simples e reproduzido fielmente as versões mais conhecidas desses personagens. Em vez disso, a desenvolvedora reinterpretou os heróis e vilões da Marvel com sua própria identidade.

A roupagem inspirada em anime funciona muito bem. O jogo preserva elementos essenciais de cada personagem, mas também apresenta versões com personalidade própria. O resultado encontra um ótimo equilíbrio entre o visual clássico da Marvel e o estilo característico da desenvolvedora japonesa.

O jogo conta com dublagem e textos em português brasileiro, porém repete a discutível escolha de manter os nomes de heróis e vilões em inglês. Não há, até o momento, uma explicação clara para jogos como Marvel’s Spider-Man, Marvel Tōkon: Fighting Souls e até Marvel’s Wolverine seguirem esse caminho. O resultado soa especialmente estranho quando algumas vozes já conhecidas pelo público brasileiro retornam, mas passam a chamar os personagens de Iron Man ou Storm, por exemplo. Considero essa decisão um ponto negativo da localização, principalmente por se afastar da nomenclatura em português já consolidada em outras mídias da Marvel.

O que Marvel Tōkon: Fighting Souls oferece?

Além da campanha, o jogo oferece os modos tradicionais que se espera encontrar no gênero. A área de Batalha reúne confrontos Versus contra outro jogador ou contra a CPU, Treino, partidas casuais, salas personalizadas e partidas ranqueadas. Nos testes que realizei, as partidas online funcionaram sem problemas de conexão. Apanhei feio na maioria delas? Sim, mas isso teve muito mais relação com a minha habilidade do que com o desempenho do jogo.

Os comandos simplificados ajudam durante os primeiros confrontos, mas não transformam o ambiente competitivo em um passeio. Quem entra no online sem estudar as mecânicas corre um sério risco de ficar preso no canto da tela e virar saco de pancadas.

Lobby de Marvel Tokon
Capturado pelo site Outra Dimensão

Além disso, o jogo possui um Lobby bem divertido. Com seu avatar você pode explorar o mapa para selecionar modos de jogo, encontrar outros jogadores ou passar o tempo em mini games.

Quem prefere jogar sozinho encontra alternativas além dos episódios. A All-Star Arena apresenta circuitos com diferentes rotas e sequências de confrontos. As dificuldades aplicam modificadores às batalhas e tornam o avanço mais complicado. Dentro da mesma área, o modo Sobrevivência desafia o jogador a vencer o maior número possível de adversários antes de ser derrotado.

modo all star arena de Marvel Tokon
Capturado pelo site Outra Dimensão

A opção mais diferente é Arcadia Rumble, disponível tanto contra a CPU quanto no multiplayer online. O modo coloca os avatares dos jogadores em uma arena na qual todos podem coletar itens, acumular pontos, obter melhorias temporárias e atacar os adversários. As rodadas são intercaladas com combates tradicionais entre dois jogadores. Mas aqui o foco é acumular as estrelas para se consagrar o vencedor da partida.

modo Arcadia Rumble em Marvel Tokon
Capturado pelo site Outra Dimensão

Veredito: Marvel Tokon Fighting Souls vale a pena?

Sim, Marvel Tōkon: Fighting Souls vale a pena, principalmente para quem procura um jogo de luta acessível, mas com espaço para evoluir. Os controles são precisos, o sistema 4 contra 4 possui bastante profundidade e o elenco apresenta personagens bem diferenciados. O visual inspirado em anime também reinterpreta o universo da Marvel sem apagar a identidade de seus heróis e vilões.

O principal ponto fraco está na campanha. A apresentação em quadrinhos é bonita, mas não compensa a narrativa fraca e repetitiva. Ainda assim, a variedade de modos, o bom funcionamento das partidas online e a qualidade dos combates tornam o resultado bastante positivo. Quem deseja apenas uma aventura com história pode se decepcionar, mas fãs de jogos de luta encontrarão uma experiência fácil de começar e difícil de dominar.

Review: Marvel Tōkon: Fighting Souls – Vale a pena?

Um excelente e divertido jogo de luta, mas que peca na campanha.

8.1 Ótimo

Pontos positivos

  • Visual dos personagens
  • Combate acessível
  • Lobby divertido

Pontos negativos

  • Modo Episódios bem fraco
  • Elenco inicial poderia ser um pouco maior
  • Pouca variedade de modos
  • Escolha duvidosa de termos na dublagem
História 6.0
Gameplay 9.0
Gráficos 9.0
Conteúdo 8.5
Plataformas: PS5, PC Gênero: Luta Desenvolvedora: Arc System Works

Para esta análise, Marvel Tokon: Fighting Souls foi testado em um PlayStation 5 Pro.

Marcado:

Deixe um Comentário