Splatoon é uma franquia que sempre me agradou, mas nunca tive muita oportunidade de me dedicar aos jogos anteriores. Tanto que o último que joguei foi Splatoon 2, ainda no começo do Switch, e acabei deixando de lado em grande parte porque as partidas online sempre tinham lag e a campanha não me agradou.
Agora, com um novo jogo, Splatoon Raiders não tinha me chamado a atenção em nenhum dos materiais de divulgação. Mesmo assim, resolvi testar porque jogos baseados na busca por equipamentos cada vez melhores sempre me deixam curioso. Depois de quase 20 horas explorando o jogo, completando as principais missões e coletando muitas relíquias e equipamentos de alto nível, chegou a hora de escrever esta review e tentar responder: Splatoon Raiders vale a pena?

Um Splatoon diferente, mas ainda familiar
Splatoon Raiders é um derivado da série principal que deixa de lado o foco nos combates PvP para apostar em uma experiência PvE, pensada principalmente para jogar sozinho, mas que também oferece opções cooperativas. Aqui, o objetivo é evoluir seu personagem, enfrentar hordas de inimigos e conseguir equipamentos cada vez mais poderosos.
O jogo até conta com uma história para justificar essa aventura, mas é algo bem simples e que pode ser resumido em uma exploração em busca de relíquias. É necessário avançar nos objetivos principais para liberar novas regiões e missões, porém a graça de Splatoon Raiders está mesmo na busca por equipamentos melhores. E um jogo com essa proposta precisa de um gameplay capaz de prender o jogador, algo que Splatoon sabe fazer muito bem desde o primeiro título.

No começo, a simplicidade das fases me incomodou, e isso não mudou completamente até o fim. Conforme avancei, porém, comecei a deixar esse problema um pouco de lado porque percebi que o verdadeiro objetivo era outro: conseguir equipamentos melhores e montar uma boa build. É importante ter isso em mente. Splatoon Raiders não é exatamente um jogo focado em aventura narrativa ou grandes fases de exploração. É muito mais um jogo de combate em arenas, progressão e criação de builds. Dentro dessa proposta, ele faz muita coisa bem.
Missões variadas no papel, arenas repetitivas na prática
Splatoon Raiders conta basicamente com quatro tipos de missões. Existem fases mais lineares, nas quais você derrota os inimigos pelo caminho até chegar ao objetivo; regiões amplas que podem ser exploradas enquanto hordas aparecem oferecendo recompensas; fases que funcionam como tutoriais para ensinar o uso de novas armas e ferramentas; e arenas mais fechadas, que podem contar com subníveis e chefões.

O problema está na falta de diversidade dessas arenas. Por mais que existam regiões diferentes e cada uma tenha sua própria estética, os locais de combate acabam caindo rapidamente na mesmice. Na maioria das vezes, são espaços relativamente simples, com um ou outro elemento diferente que, no meio do caos provocado pelas hordas de inimigos, pouco interfere na experiência. Os chefes também deixam a desejar. Existem poucas opções realmente diferentes que exijam uma mudança significativa de estratégia, enquanto alguns inimigos mais poderosos funcionam basicamente como variações daqueles encontrados normalmente nas missões.
Isso pesa ainda mais porque Splatoon Raiders tem bastante conteúdo. A campanha pode facilmente durar entre 10 e 15 horas, enquanto novas missões continuam aparecendo no endgame, além de objetivos secundários e conteúdos escondidos. A repetição é algo até esperado em um jogo baseado na busca por equipamentos, mas acaba ficando mais evidente justamente pela pouca variedade dos cenários e arenas.
Equipamentos e builds são o coração de Splatoon Raiders
É na progressão que Splatoon Raiders consegue me prender de verdade. Os equipamentos do personagem são compostos por uma arma, que possui nível e raridade; um tanque, responsável por definir quais tipos de ferramentas podem ser utilizadas; relíquias, que adicionam habilidades geralmente passivas; e um ataque especial entre três opções disponíveis.

Entre esses elementos, os tanques merecem maior destaque. Existem três tipos: Speed Tank, Power Tank e Tactical Tank. Um é focado principalmente em ferramentas de mobilidade, outro favorece abordagens mais diretas contra os inimigos, enquanto o terceiro oferece recursos voltados ao controle da arena, ataques a distância e armadilhas. Essa escolha muda consideravelmente quais ferramentas estarão disponíveis e acaba definindo boa parte do estilo da sua build.
Inicialmente, cada tanque permite equipar duas ferramentas, e elas podem ser aprimoradas com diferentes perks que ocupam slots. É um sistema parecido com o encontrado em vários jogos de tiro, com a diferença de que, em Splatoon Raiders, boa parte dessas modificações está nas ferramentas e não diretamente nas armas. As armas também podem ser melhoradas posteriormente, aumentando seu nível e recebendo habilidades passivas, mas esse sistema ganha mais importância em um estágio avançado da progressão.
Além dos equipamentos, o personagem possui quatro atributos que podem ser melhorados utilizando pontos de habilidade. Esses pontos são obtidos ao subir de nível ou completar missões específicas. Tudo isso cria aquela sensação constante de que ainda existe alguma coisa para melhorar, seja uma arma, uma ferramenta, um atributo ou uma relíquia melhor para completar a build. E foi justamente essa busca que mais me motivou a continuar jogando.
Visual competente e ótimo desempenho no Switch 2
Do ponto de vista gráfico, Splatoon Raiders entrega um visual satisfatório. Não chega a ser algo impressionante para o Nintendo Switch 2, mas é um jogo bonito e bem trabalhado. O que mais me chamou a atenção foi como ele funciona no modo portátil. As diferenças em relação ao modo TV são pouco perceptíveis durante a jogatina e ficam mais relacionadas à resolução da tela do que a qualquer perda visual realmente significativa.
O maior problema visual continua sendo o próprio design das fases. Os cenários são simples e apresentam pouca diversidade e criatividade, algo que reforça ainda mais aquela sensação de repetição após várias horas. Por outro lado, o desempenho merece destaque. Splatoon Raiders mantém uma taxa de quadros bastante estável tanto no modo TV quanto no portátil. Considerando a quantidade de inimigos, tinta, ataques e outros elementos que podem aparecer simultaneamente na tela, seria fácil imaginar problemas de desempenho, mas durante todo o período em que joguei não tive nenhuma queda de quadros perceptível que prejudicasse a experiência.
Já a trilha sonora deixa um pouco a desejar. As músicas raramente conseguem se destacar no meio dos combates e acabam passando despercebidas. Tudo bem que, nas dificuldades mais elevadas, o caos das batalhas é tão grande que dificilmente você estará preocupado com a música, mas uma trilha mais marcante ajudaria a deixar esses confrontos ainda mais envolventes.
O cooperativo é melhor, mas possui limitações desnecessárias
É interessante notar que, desde sua revelação, Splatoon Raiders foi apresentado principalmente como uma experiência focada no single-player. O modo solo funciona e é perfeitamente possível aproveitar toda a progressão dessa forma. Mesmo assim, depois de testar o cooperativo, achei o jogo muito mais divertido quando jogado em equipe.
Com amigos ou por meio das salas online, é possível formar grupos de até quatro jogadores. Veja como desbloquear e jogar multiplayer em Splatoon Raiders. Para quem está jogando sozinho, também existe a possibilidade de pedir ajuda antes de determinadas missões e receber outros jogadores. O problema aparece justamente para quem depende desse sistema em vez de montar o próprio grupo.
Depois de completar uma missão com sucesso utilizando a opção de pedir ajuda, o jogo bloqueia temporariamente a possibilidade de fazer um novo pedido. Durante meus testes, essa espera ficou em torno de meia hora, deixando o jogador sem a possibilidade de usar imediatamente o matchmaking para outra fase que deseja completar. Honestamente, é uma limitação desnecessária, principalmente nas dificuldades mais elevadas, nas quais jogar em equipe deixa as batalhas muito mais interessantes.

Vale lembrar que formar um grupo também aumenta a força dos inimigos, então chamar outros jogadores não funciona simplesmente como uma maneira de facilitar a missão. A alternativa é entrar como ajudante na equipe de outra pessoa, opção que não apresenta a mesma limitação. Nesse caso, porém, você pode acabar entrando em uma missão aleatória em vez daquela que realmente gostaria de jogar.
Veredito: Splatoon Raiders vale a pena?
Splatoon Raiders consegue entregar um gameplay extremamente satisfatório e que pode facilmente prender o jogador por horas simplesmente pela vontade de maximizar o personagem e encontrar equipamentos melhores. O sistema de progressão e montagem de builds funciona muito bem e acaba sendo o principal responsável por sustentar toda a experiência.
O problema é que a falta de diversidade nos cenários e nas arenas pode fazer a repetição natural desse tipo de jogo se tornar cansativa depois de algum tempo. O fato de Splatoon Raiders não estar disponível em português também pesa negativamente, principalmente porque compreender as descrições de equipamentos, habilidades e perks é importante para montar uma boa build.
De forma geral, Splatoon Raiders vale muito a pena para quem gosta dessa proposta de repetir missões, enfrentar hordas e buscar equipamentos cada vez melhores. O combate continua extremamente divertido e a progressão funciona muito bem, mas a pouca diversidade das arenas e algumas limitações do cooperativo podem fazer com que o entusiasmo diminua depois de muitas horas.
Review: Splatoon Raiders – Vale a pena?
Splatoon Raiders vale a pena, principalmente para quem gosta de progressão, builds e busca por equipamentos. O gameplay diverte bastante, apesar da repetição dos cenários.
Pontos positivos
- Gameplay extremamente divertido
- Progressão e builds viciantes
- Grande variedade de equipamentos
- Ótimo desempenho no Switch 2
Pontos negativos
- Cenários e arenas pouco variados
- Pouca diversidade de chefes
- Limitações desnecessárias no matchmaking
- Trilha sonora pouco marcante
- Ausência de português

















