Nesta review de Realm of Ink, vou explicar se o roguelike vale a pena e quais foram minhas impressões após avançar pelas primeiras horas do jogo.
Quando comecei a jogar, minha primeira impressão foi imediata: parecia mais um título fortemente inspirado em Hades. A estética, a câmera, a estrutura roguelike e até mesmo alguns elementos da progressão lembram bastante o sucesso da Supergiant Games. Nos primeiros 15 ou 20 minutos, inclusive, fiquei com a sensação de que seria apenas mais um clone tentando repetir uma fórmula já conhecida. Mas conforme fui avançando, percebi que Realm of Ink tenta seguir seu próprio caminho.

A primeira diferença que me chamou atenção foi a dificuldade. Enquanto Hades me exigiu muitas tentativas para concluir uma campanha completa, em Realm of Ink a progressão inicial foi muito mais tranquila. O jogo é claramente mais acessível nas primeiras horas, embora sua dificuldade vá aumentando conforme novos sistemas e desafios são desbloqueados.
Um roguelike familiar, mas com identidade própria
Apesar das comparações inevitáveis com Hades, e que você pode conferir uma review completa de Hades 2 no site, Realm of Ink possui algumas ideias interessantes. Em vez de trabalhar com diferentes armas e estilos de combate, o jogo aposta em um sistema baseado em mascotes. São eles os responsáveis por grande parte das habilidades especiais utilizadas durante as partidas. Cada mascote está associado a elementos específicos, como fogo, água ou metal, mas isso não significa que todos os mascotes de um mesmo elemento funcionem da mesma forma. Cada um possui habilidades próprias, incentivando o jogador a experimentar diferentes combinações ao longo das partidas.

Além disso, existe todo o sistema tradicional dos roguelikes. Durante cada tentativa você coleta relíquias, aprimoramentos e bônus temporários que fortalecem seu personagem. Quando morre, perde parte desse progresso, mas mantém recursos suficientes para desbloquear melhorias permanentes como habilidades que aumentam a chance de encontrar itens melhores, outras que concedem uma segunda vida e diversas opções focadas em fortalecer futuras tentativas. É uma estrutura bastante familiar para quem já jogou outros representantes do gênero.
Complexidade excessiva atrapalha a experiência
O maior problema de Realm of Ink não está nas mecânicas em si, mas na forma como elas são apresentadas. Existe uma quantidade enorme de informações, atributos, modificadores e efeitos espalhados pelos menus. Em muitos momentos, abrir a tela de equipamentos ou melhorias gera mais confusão do que clareza.
Constantemente me vi lendo descrições extensas tentando entender exatamente o que determinado bônus fazia ou qual seria a melhor combinação para minha build.

A sensação é que o jogo adiciona camadas e mais camadas de sistemas sem fazer um bom trabalho explicando tudo ao jogador. Isso acaba tornando a criação de builds mais complexa do que deveria ser e pode afastar quem procura uma experiência mais direta.
Tradução e performance precisam de atenção urgente
Infelizmente, os maiores problemas de Realm of Ink não estão relacionados ao gameplay.
A tradução para português apresenta diversos erros. Alguns textos aparecem incompletos, outros possuem descrições confusas e há momentos em que informações importantes simplesmente não são apresentadas da forma correta. A impressão é de que estamos diante de uma tradução provisória que acabou chegando à versão final do jogo sem o devido polimento.

Mas a situação fica ainda mais complicada quando falamos da performance. Jogando no PlayStation 5 Pro, encontrei quedas frequentes de desempenho, travamentos e momentos em que o jogo claramente tinha dificuldades para lidar com muitos inimigos e efeitos simultaneamente. Em algumas batalhas mais intensas, a taxa de quadros despencava e a experiência ficava visivelmente comprometida.
Não são pequenos problemas ocasionais. Em determinados momentos, as falhas técnicas começam a atrapalhar a diversão de forma significativa. Como quando o áudio fica totalmente sincronizado. Isso aconteceu várias vezes e apesar de uma arte bonita, o áudio totalmente bugado acaba prejudicando o conjunto.
Um jogo com potencial que precisava de mais tempo
O mais frustrante em Realm of Ink é perceber que existe uma boa ideia por trás de todos esses problemas.
O sistema de mascotes funciona bem, a progressão consegue gerar aquele sentimento viciante típico dos bons roguelikes e existe conteúdo suficiente para manter o jogador interessado por várias horas. O problema é que tudo parece precisar de mais polimento.

A interface poderia ser mais clara. Os sistemas poderiam ser apresentados de forma mais acessível. A tradução necessita de revisão urgente. E a performance claramente precisa de atualizações para atingir um padrão aceitável.
Vale lembrar que Realm of Ink passou por um período de acesso antecipado antes do lançamento oficial, o que torna algumas dessas questões ainda mais difíceis de ignorar. A sensação é que o jogo poderia ter permanecido um pouco mais no forno antes de chegar a sua versão 1.0.
Veredito – Realm of Ink Vale a pena?
Realm of Ink possui boas ideias e consegue entregar momentos divertidos para fãs de roguelikes, especialmente para quem gosta de experimentar builds e combinações diferentes de habilidades. No entanto, os problemas técnicos, a tradução problemática e a complexidade excessiva de alguns sistemas acabam pesando bastante na experiência.
Existe potencial para se tornar um jogo muito melhor no futuro, principalmente se os desenvolvedores investirem em atualizações focadas em performance, correções e melhorias de qualidade de vida. Mas no estado atual, é difícil recomendar Realm of Ink sem ressalvas. É um jogo que mostra qualidades interessantes, porém ainda parece estar a algumas atualizações de distância da sua melhor versão.

Realm of Ink vale a pena? Review Completa
Realm of Ink é um roguelike inspirado em Hades mas que sofre com muitos problemas técnicos.
Pontos positivos
- Variedade de cenários e inimigos
Pontos negativos
- Muitos problemas de performance
- Tradução problemática
- Complexo sistema de equipamentos
Essa análise foi feita graças a uma cópia do jogo disponibilizada pela desenvolvedora. Os testes foram feitos em um Playstation 5 PRO.


















