Quando foram reveladas as primeiras imagens de 007 First Light, os meus sentimentos foram mistos. Por um lado, parecia um jogo mais próximo de Uncharted, uma das minhas franquias favoritas do gênero. Por outro, o fato de a desenvolvedora IO Interactive, conhecida pela franquia Hitman, me deixava inseguro de que este poderia ser um jogo muito focado em furtividade — uma mecânica que eu não curto tanto.
O fato é que, ao longo das cerca de 11 horas de campanha, os sentimentos mistos se mantiveram, mas com um saldo bem mais positivo do que eu imaginava. Nesta review, quero passar um pouco das minhas impressões com o jogo e ajudar você a decidir se vale a pena embarcar nessa missão.

História e construção de James Bond
Antes de tudo, vale explicar brevemente do que se trata: First Light acompanha os primeiros passos de James Bond antes de receber o título de 007. O jogo traz uma narrativa e elenco totalmente novos, sem utilizar histórias ou atores dos filmes recentes.
A trama se desenvolve ao longo de cerca de 11 horas, dependendo do seu ritmo de exploração. Se você é fã da franquia cinematográfica, já adianto que tudo o que define um bom filme do 007 está aqui: espionagem, disfarces, romances, traições, estilo, cenários marcantes e muito mais.

É até difícil listar tudo, porque a quantidade de elementos clássicos é enorme. E também é complicado falar da trama sem spoilers, então vou evitar aprofundar demais. O que dá para destacar é que você acompanha a evolução de Bond desde seus treinamentos.
Inclusive, uma das sequências iniciais mostra o treinamento de forma muito inteligente: o próprio jogador aprende as mecânicas enquanto avança. É provavelmente um dos tutoriais mais orgânicos que já vi em um jogo.
Tudo funciona muito bem e a estética de apresentação, quase como nos filmes, deixa tudo mais empolgante.
A história também é contada com uma forte linguagem cinematográfica. A forma como tudo é apresentado na tela mostra claramente como a IO Interactive absorveu bem a essência dos filmes e traduziu isso para o jogo. O único ponto que pode incomodar um pouco são algumas quebras de ritmo, mas isso não chega a ser um problema da narrativa em si, e sim de certas decisões de gameplay.

Gameplay: espionagem, ação e liberdade controlada
O gameplay é outro grande destaque de 007 First Light. Mas, vale dizer, que o jogo não é totalmente furtivo como Hitman, nem totalmente ação como Uncharted. Ele encontra um meio-termo próprio, criando algo único para o universo de James Bond.
A estrutura da maioria das missões segue um padrão bem definido de uma sequência narrativa inicial com contexto que irá te levar para uma fase de exploração e infiltração e terminar com uma grande sequência final de ação.

As sequências narrativas entre missões acabam sendo o maior ponto negativo para mim. Em alguns momentos, o jogo te coloca apenas andando de um ponto ao outro enquanto diálogos acontecem. Isso poderia ser condensado em cutscenes sem perder impacto. Entretanto, entendo que muitos jogadores até prefiram controlar o personagem ao invés de assistir uma cena.
Na parte da exploração, fica evidente toda a expertise da IO Interactive com a franquia Hitman. Um ótimo exemplo é a missão ambientada em uma mansão gigantesca, mostrada anteriormente em um State of Play da PlayStation.
O número de formas de atingir um objetivo é enorme. Em um caso, por exemplo, descobri que podia roubar um cartão de imprensa escondido em um jarro para acessar uma área restrita.
Explorar o ambiente, ouvir conversas e analisar detalhes faz parte da experiência. Os mapas são muito bem construídos e realmente incentivam a investigação. Um outro exemplo é descobrir os códigos e senhas que libertam portas e cofres. Diferente da maioria dos jogos, não basta encontrar um papel com a sequência de números, há todo um puzzle para descobrir e que você preparamos um guia com todas as senhas caso queira facilitar o processo.
Depois de longas fases de exploração — e elas são realmente longas — o jogo sempre entrega uma sequência cinematográfica ou cheia de ação, explosões e fugas em alta velocidade.
Cada missão termina com um grande clímax. O jogo sabe construir expectativa muito bem, criando esse contraste entre calmaria e caos absoluto: você começa investigando e termina no meio de tiroteios, explosões e fuga intensa.
Visuais: Um ponto controverso
Se o jogo entrega mapas extremamente detalhados e ótimos momentos de ação, os gráficos têm um resultado misto.

A aposta clara do estúdio foi criar áreas com dezenas (ou até centenas) de NPCs simultâneos, e isso naturalmente tem um custo técnico. Sinceramente, não achei as modelagens dos personagens tão boas — muitos NPCs têm um visual apenas ok. Da mesma forma, alguns cenários apresentam texturas mais fracas em certas áreas (algo que pode ser melhorado em updates futuros).

Outro ponto negativo aparece em algumas sequências com fumaça na tela, onde a qualidade cai bastante, chegando a ficar pixelada em certos momentos. E até mesmo nas sequências de ação — que são muito bem dirigidas — o impacto visual não chega ao nível de jogos como Uncharted, mesmo sendo títulos mais antigos.
A sensação geral é que o jogo poderia ser mais polido visualmente, embora ainda seja bonito no conjunto.

Por outro lado, o áudio é excelente.
A trilha sonora acompanha perfeitamente o clima de aventura, e a dublagem em inglês é muito bem feita. As atuações, principalmente dos protagonistas, são excelentes. O ator Patrick Gibson entrega muita personalidade ao Bond.
O jogo também conta com uma abertura no estilo clássico dos filmes, além da icônica trilha da franquia.
Veredito – 007 First Light vale a pena?
De forma geral, 007 First Light é um dos grandes títulos do ano e vale muito a pena para quem gosta de jogos com foco narrativo e grandes momentos de ação.
Ele não aposta em ação desenfreada o tempo todo, mas quando a ação aparece, ela é sempre grandiosa e bem construída. É um jogo totalmente linear, mas com forte incentivo para replay de missões e coleta de colecionáveis. Além disso, ao concluir a campanha, um novo modo de jogo é desbloqueado e oferece mais missões e a possibilidade de conteúdos pós lançamento.
No geral, entrega algumas dezenas de horas de conteúdo sólido e uma experiência bem cinematográfica. Para quem busca os 100%, o 007 First Light possui objetivos bem simples e rende uma platina relativamente fácil que vale a pena e você pode conferir a lista completa de troféus e platina.

007 First Light review completa – vale a pena?
Um dos melhores jogos do 007, mas que precisa melhorar alguns aspectos para o futuro.
Pontos positivos
- História e Personagens envolvente
- Diversas opções de jogabilidade
- Narrativa cinematográfica
Pontos negativos
- Problemas visuais
- Sequências monótonas de caminhadas
Essa análise foi feita com uma cópia do jogo rodando no PS5 Pro.


















