Ghost of Yotei é o novo jogo da Sucker Punch após o sucesso de Ghost of Tsushima. Lançado exclusivamente para PS5 em 2 de outubro de 2025, ele promete uma nova aventura samurai em mundo aberto. Depois de cerca de 45 horas imerso no jogo, chegou a hora de compartilhar minha experiência: afinal, Ghost of Yotei vale a pena?
O que é Ghost of Yotei?
Aqui acompanhamos Atsu, uma guerreira que perdeu sua família em um ataque brutal comandado pelos Seis de Yotei. Com sede de vingança, ela parte em uma jornada para encontrar e derrotar cada um deles. É um jogo em mundo aberto, focado totalmente em narrativa e jogado no single player. A proposta é clara: uma história emocional em meio a um Japão repleto de perigos e belezas.

Um mundo aberto lindo, mas com repetição
Logo nos primeiros minutos já dá para entender que a Sucker Punch continua dominando a direção de arte. O mundo de Yotei é deslumbrante a ponto de fazer você querer caminhar devagar só para observar tudo ao redor. As cores, a iluminação, o clima… tudo ajuda a construir essa sensação de estar em um lugar vivo, mesmo que em constante ameaça.
Os gráficos também são bem trabalhados, com ótimas texturas. Porém, em alguns momentos específicos, principalmente envolvendo NPCs e algumas cenas, a qualidade cai bastante e isso chama atenção em um exclusivo de PS5. Ainda assim, a maior parte do tempo a beleza compensa.
A trilha sonora e os efeitos sonoros garantem muita imersão, e a dublagem em português funciona bem. Nada que roube a cena, mas também sem comprometer a experiência.
Explorar o mapa é gostoso, mas aos poucos as atividades começam a dar sinais de repetição. Existe uma tentativa de variar as situações, como quando as raposas podem exigir mais de um resgate até chegar ao amuleto ou quando as fontes termais trazem pequenos contextos diferentes. A intenção é ótima, mas a variação é pequena demais para impedir essa repetitividade de aparecer.

Combates frenéticos e um bom uso do DualSense
O combate é um dos pontos mais divertidos. Há diferentes armas com estilos próprios, como katanas duplas, lança e a tradicional katana. Cada uma possui uma árvore de habilidades e funciona melhor contra certos tipos de inimigos. A kusarigama, por exemplo, é mais indicada contra escudos. A maioria dos adversários carrega duas armas diferentes e isso exige que você se adapte o tempo todo.
Essa dinâmica poderia funcionar ainda melhor se a troca de armas fosse mais intuitiva. Em vários momentos, principalmente com muitos inimigos ao redor, usei itens sem querer ou apertei comandos errados por reflexo. Mesmo depois de muitas horas, a sensação é de que os controles durante o combate não são tão simples quanto deveriam ser.
A furtividade está presente com escaladas, esconderijos e habilidades que ampliam a forma de eliminar inimigos silenciosamente. Tudo funciona bem, complementando o combate direto.
Algo que gostei muito foi a forma como o jogo aproveita as funcionalidades do controle do PS5. Os gatilhos adaptáveis, vibrações e até minigames que usam o touchpad e o sensor de movimento aparecem com frequência. Nada parece forçado, tudo surge de forma natural, trazendo aquela sensação de que o controle realmente faz parte da experiência e não apenas um acessório.

Uma história que não empolga
Se o mundo encanta e o combate diverte, a narrativa segue pelo caminho oposto. A história de Atsu começa com uma boa motivação, mas não consegue manter o ritmo. Muitos personagens não têm carisma e não conquistam o jogador, e várias partes se prolongam mais do que deveriam, criando uma sensação de barriga no roteiro.
Curiosamente, as missões de treinamento para novas armas acabam sendo mais interessantes do que a própria caçada pelos Seis de Yotei. Em vez de simplesmente ganhar uma arma nova, você passa por desafios que realmente fazem sentido dentro da construção da personagem, o que torna esses momentos mais marcantes.
A campanha principal não é tão longa, mas o mundo é tão grandioso que você acaba se distraindo em atividades secundárias. Quando volta para o enredo, o impacto já não é tão forte. Mesmo com algumas reviravoltas, a impressão final é de uma história que não acompanha a qualidade do mundo que a envolve.
Veredito
Ghost of Yotei é exatamente o que se espera de uma sequência espiritual de Ghost of Tsushima, mesmo com outra protagonista e outro contexto. Ele amplia ideias, traz novidades e oferece um mundo belíssimo que vale a pena ser visitado.
Ao mesmo tempo, a narrativa não entrega personagens ou momentos que realmente marquem. A repetição em parte das atividades e a falta de naturalidade em algumas escolhas de controles tiram um pouco do brilho do jogo.
No fim, Ghost of Yotei parece uma obra de arte que você admira durante horas, mas que talvez não deixe lembranças tão fortes quando a jornada finalmente chega ao fim. Vale a pena pela exploração, pelo combate e pela imersão, mas pode decepcionar quem prioriza uma história forte.
AVALIAÇÃO
História – 7,0
Gameplay – 9,0
Gráficos e áudio – 9,5
Fator replay – 8,0
Essa foi nossa review de Ghost of Yotei. Confira mais sobre nossas análises na página especial.
Ghost of Yotei está disponível para Playstation 5. Para fins de análise, foi utilizada uma cópia do jogo rodando tanto no Playstation 5 como no Playstation 5 pro.















