Review: Pragmata – Vale a pena?

Jogamos Pragmata, a nova aposta da Capcom, que chega após um longo período sem novas IPs inéditas da empresa, justamente em uma das melhores fases da produtora. Depois de finalizar a campanha, trazemos nesta análise nossas impressões sobre o jogo e tentamos responder à principal pergunta: Pragmata vale a pena?

A Campanha Principal de Pragmata

A narrativa de Pragmata é centrada na relação entre Diana e Hugh enquanto os dois tentam sobreviver aos desafios de uma misteriosa base lunar.

Diana é uma Pragmata, e parte da trama gira justamente em torno da descoberta de seu papel naquele universo e das razões por trás de sua criação. Embora a história utilize diversos clichês clássicos da ficção científica, ela consegue funcionar bem graças à maneira como conduz seus personagens e seus mistérios.

Imagem da Diana em Pragmata
Capturado por Outra Dimensão / Capcom

Ainda assim, senti que o desenvolvimento da dupla poderia ser melhor trabalhado. O jogo é relativamente curto — cerca de 8 a 9 horas dependendo do nível de exploração —, mas mesmo com essa duração existem momentos arrastados e algumas sequências repetitivas. Isso acaba impactando diretamente a evolução da relação entre Diana e Hugh.

E a questão aqui nem é a curta duração da campanha, algo até tradicional em jogos desse estilo produzidos pela Capcom. Particularmente, gosto de experiências mais lineares e contidas, sem a necessidade de criar “barrigas” artificiais apenas para aumentar o tempo de jogo. O problema é que, mesmo dentro dessas quase 10 horas, algumas partes parecem esticadas de forma desnecessária.

Boa parte da estrutura acaba girando em torno de encontrar maneiras de destravar portas e avançar para a próxima área. Nem sempre o jogo se resume a isso, mas essa sensação se repete mais do que deveria. Houve um momento, especialmente na metade da campanha, em que senti uma certa desconexão com a experiência. Felizmente, conforme a história avança e os acontecimentos ganham mais força, o jogo consegue recuperar parte desse envolvimento.

Áreas bloqueadas em Pragmata destaque da review se vale a pena
Capturado por Outra Dimensão / Capcom

Mesmo assim, o saldo final é positivo. Ao terminar a campanha, fica aquela sensação de que existe potencial para ver mais daqueles personagens e daquele universo.

Gameplay inovador mas que necessita de melhorias

O grande destaque de Pragmata está no seu sistema de combate. A Capcom tenta fugir da estrutura tradicional dos jogos de ação ao introduzir uma mecânica de hackeamento integrada aos confrontos.

Na prática, funciona assim: antes de causar dano real aos inimigos, Diana precisa hackeá-los. Esse hackeamento acontece em uma espécie de tabuleiro onde você utiliza os botões de ação para abrir caminho até o núcleo do adversário. Enquanto isso, Hugh continua sendo controlado normalmente com os analógicos, podendo atirar e se movimentar ao mesmo tempo.

Visual de Pragmata, vale a pena?
Capturado por Outra Dimensão / Capcom

A grande sacada do sistema está justamente no caos que ele cria. Você precisa raciocinar rapidamente durante o hackeamento enquanto se esquiva dos ataques inimigos em tempo real. No início tudo parece relativamente simples, mas conforme o jogo avança os caminhos ficam maiores, mais complexos e exigem mais agilidade do jogador.

Quando você finalmente se adapta aos comandos, os combates ficam extremamente divertidos e satisfatórios. Por outro lado, caso essa mecânica não “clique” para você, existe uma boa chance de parte da experiência acabar se tornando cansativa ao longo das horas.

O que realmente me incomodou foi a forma como o jogo lida com derrotas. Em vez de simplesmente reiniciar próximo do local da morte ou em um checkpoint tradicional, Pragmata obriga o jogador a retornar ao Abrigo, uma área central usada para upgrades, compra de itens e seleção de missões.

Na teoria, o sistema até faz sentido. Na prática, porém, ele adiciona uma burocracia desnecessária. Se você morrer perto de um chefe, por exemplo, precisará voltar ao Abrigo e repetir o processo até retornar ao combate. Os loadings são rápidos, mas isso não impede que a estrutura fique cansativa depois de algumas tentativas. Uma opção de reaparecer diretamente no checkpoint resolveria boa parte dessa frustração.

o Abrigo em Pragmata
Capturado por Outra Dimensão / Capcom

O Abrigo também funciona como uma espécie de hub para revisitar áreas anteriores. Apesar da campanha ser linear, o jogo incentiva o retorno aos cenários para encontrar colecionáveis, materiais de upgrade e itens cosméticos. Em alguns casos, voltar é praticamente obrigatório, já que certas regiões só ficam acessíveis após desbloquear habilidades específicas.

Outro ponto positivo é a boa variedade de armas e habilidades, especialmente considerando a duração relativamente curta da campanha. Existem armas básicas com munição infinita, mas com recarga limitada por tempo, enquanto outras possuem munição restrita e são descartadas após o uso completo.

Além disso, os módulos de hackeamento usados por Diana adicionam possibilidades interessantes durante os confrontos. Alguns aumentam o tempo de vulnerabilidade dos inimigos, enquanto outros fazem os próprios robôs se atacarem.

Essa variedade também aparece no design dos inimigos. Felizmente, Pragmata evita cair naquele velho problema de apenas trocar a cor dos adversários para criar “novos” desafios. Cada tipo possui habilidades e comportamentos próprios, além de um visual bastante distinto.

Grandes Inimigos em pragmata
Capturado por Outra Dimensão / Capcom

Há desde robôs humanoides mais simples até criaturas enormes e visualmente criativas. Alguns inimigos conseguem ser genuinamente irritantes, como uma espécie de aranha invisível que utiliza camuflagem para perseguir o jogador silenciosamente. Já os chefes entregam batalhas intensas e exigem domínio real das mecânicas.

Deslumbrante visualmente

Tecnicamente, Pragmata é impressionante.

Mais do que texturas de alta qualidade ou boas modelagens, o que realmente chama atenção é a direção artística. A construção dos cenários, o design dos inimigos e a identidade visual do jogo mostram mais uma excelente utilização da RE Engine pela Capcom. Graficamente, achei o jogo até mais bonito que Resident Evil Requiem, que já era um grande destaque técnico por si só como comentamos em nossa review.

Cenário em Pragmata
Capturado por Outra Dimensão / Capcom

O áudio também merece elogios. A trilha sonora sabe equilibrar muito bem os momentos de tensão e ação, enquanto o design de som utiliza pequenos detalhes para diferenciar ambientes e situações específicas sem precisar exagerar nos efeitos.

Modos de jogo e a busca por 100%

Terminar a campanha de Pragmata abre o caminho para novos desafios. O jogo aposta no replay da campanha em modos mais difíceis além de instigar o jogador a completar outros desafios e buscar recursos. Talvez esse seja o ponto mais fraco do jogo.

Os desafios que são liberados no decorrer da narrativa e os modos mais difíceis não me interessaram tanto, deixando algo mais restrito a só querer jogar a campanha uma única vez.

Lua em Pragmata, o jogo vale a pena
Capturado por Outra Dimensão / Capcom

Conclusão: Pragmata vale a pena?

Pragmata é, sem dúvidas, um grande acerto da Capcom, e a longa espera pelo projeto vale a pena. Isso não significa que o jogo seja livre de problemas, mas boa parte de seus defeitos parece relativamente simples de ajustar em uma futura continuação — algo que, sinceramente, gostaria bastante de ver acontecer.

Misturando um visual impressionante com uma gameplay que combina ação, estratégia e tiroteios de forma muito própria, Pragmata consegue entregar uma identidade forte em meio a tantos jogos parecidos no mercado. Talvez não seja uma experiência perfeita, mas certamente é uma das surpresas mais interessantes do ano e uma nova franquia com potencial real para crescer ainda mais nos próximos anos.

Essa análise foi feita com uma cópia do jogo rodando no Playstation 5 Pro.

Review: Pragmata – Vale a pena?
Review

Review: Pragmata – Vale a pena?

Pragmata é uma nova aposta da Capcom, que mistura ação e estratégia. Apesar de algumas falhas, oferece potencial e visual impressionante.

8.5 Ótimo

Pontos positivos

  • Visualmente incrível
  • Gameplay inovador

Pontos negativos

  • História não se aprofunda muito nas relações entre personagens
  • Mecânicas de renascimento irritantes
História 8
Gameplay 9
Gráficos 10
Conteúdo 8
Plataformas: PS5 , XBOX , Nintendo Switch 2 e PC Gênero: Ação Desenvolvedora: Capcom Tempo de jogo: 10 H

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