Depois de anos em desenvolvimento e de um reinício completo de produção, Metroid Prime 4: Beyond finalmente chegou. Após jogarmos toda a campanha, reunimos nossas impressões nesta review de Metroid Prime 4, que analisa a experiência tanto para fãs da franquia quanto para quem não teve contato com os jogos anteriores.
Gráficos e desempenho no Switch 2
Visualmente, Metroid Prime 4: Beyond agrada, especialmente quando levamos em conta que o jogo nasceu para o Nintendo Switch original. Os testes foram realizados no Switch 2, onde o título apresenta dois modos gráficos:
- 4K a 60 fps
- Full HD (1080p)
No novo hardware, o jogo roda bem e entrega um visual bonito. Entretanto, ainda é possível notar simplicidade em algumas texturas e cenários. Em várias áreas, o jogo não parece explorar todo o potencial do Switch 2, especialmente quando comparado a outros títulos lançados para o console, como Cyberpunk 2077 ou até mesmo o recém lançando Final Fantasy VII Remake.
Apesar disso, vale ressaltar que o jogo também chega ao Switch 1, o que exige alguns sacrifícios para rodar em um hardware mais antigo. O resultado final é positivo, porém fica a sensação de que faltou uma otimização mais agressiva para o Switch 2.
Mapas, exploração e o problema do deserto
Os mapas de Metroid Prime 4: Beyond apresentam boa variedade de biomas. A região inicial, com foco em floresta e vegetação densa, se destaca como a mais bonita do jogo. Outras áreas, como mapas de gelo e lava, também funcionam bem e oferecem identidade visual própria.
Por outro lado, a construção desses mapas é relativamente simples. A exploração existe, há segredos escondidos, mas a complexidade geral é menor do que se espera de um Metroid moderno.
O maior problema, porém, está no deserto, que funciona como um grande hub entre as regiões. Ele é vasto, visualmente fraco e praticamente vazio. Existem alguns itens escondidos e pequenas dungeons, mas nada que torne a travessia interessante. Como consequência, o deslocamento entre mapas se torna burocrático e cansativo.

A moto Viola: boa ideia, execução fraca

A inclusão da moto Viola (VI-O-LA) soa interessante no papel. Na prática, porém, ela serve apenas para atravessar o deserto, que já não empolga por si só. Como o cenário carece de estímulos, a utilização da moto também acaba sendo pouco marcante.
O resultado é uma mecânica que poderia adicionar dinamismo, mas que acaba reforçando um dos pontos mais fracos do jogo.
Gameplay clássico, porém burocrático
A essência de Metroid está totalmente presente. O jogo mantém a progressão baseada em novos equipamentos, backtracking constante e acesso gradual a áreas antes bloqueadas. Tudo isso funciona e respeita a identidade da franquia.
No entanto, o ritmo sofre. O vai-e-volta entre regiões, somado ao deserto vazio e às telas de loading frequentes, torna o processo mais burocrático do que deveria. Mesmo com carregamentos mais rápidos no Switch 2, as constantes transições incomodam.
Além disso, alguns upgrades quebram o fluxo da exploração. Enquanto armas como os mísseis podem ser usadas imediatamente, outras exigem que o jogador retorne a um acampamento para que um NPC instale o equipamento. Isso obriga novas travessias longas e desnecessárias pelo deserto.
Armas e progressão lenta
No início, as armas não impressionam. A maior parte delas se baseia em elementos, com diferenças pouco perceptíveis nos primeiros momentos. A arma de gelo, por exemplo, traz uma mecânica interessante ao permitir congelar inimigos, mas não chega a empolgar sozinha.
O sistema melhora consideravelmente com os upgrades, que ampliam os poderes e diferenciam melhor cada tipo de tiro. O problema é que essa evolução acontece bem mais à frente na campanha, o que pode desanimar jogadores menos pacientes.

Inimigos repetitivos, chefes inspirados
A variedade de inimigos comuns é limitada. Muitos adversários se repetem ao longo da campanha, com pequenas variações de cor que alteram apenas a dificuldade. Isso enfraquece o combate no médio e longo prazo.
Em contrapartida, os chefes são um dos pontos altos do jogo. Eles se diferenciam bem entre si e exigem estratégias específicas. Algumas batalhas são mais simples, outras mais desafiadoras, mas quase todas conseguem se destacar positivamente.
Personagens, NPCs e o silêncio de Samus
O jogo apresenta mais NPCs do que o padrão da franquia. Um grupo específico acompanha a narrativa e participa diretamente da história principal. Esses personagens cumprem seu papel, mas dificilmente criam um forte vínculo com o jogador.
O maior incômodo surge na interação entre eles e Samus. Enquanto os NPCs falam, fazem perguntas e possuem diálogos completos, a protagonista permanece totalmente silenciosa. Isso gera situações estranhas e pouco naturais.
Diferente de outros jogos da Nintendo, aqui Samus não oferece expressão facial, sons ou reações visuais que ajudem a transmitir emoções. O contraste deixa claro que a ausência de voice acting na protagonista prejudica a narrativa, especialmente em um jogo com tantos diálogos.
Localização em português: ponto positivo
Apesar de não contar com dublagem em português, Metroid Prime 4: Beyond oferece textos e legendas totalmente traduzidos. Isso facilita muito o entendimento da história e demonstra um avanço importante da Nintendo na localização de seus jogos.
A ausência da dublagem não impacta muito, já que o volume de falas não é tão grande. Ainda assim, seria interessante que o título fosse totalmente localizado.
História presente, mas pouco envolvente
A narrativa existe e funciona como pano de fundo, mas raramente empolga. O início lento, com tutoriais em ritmo arrastado, somado às longas travessias e tarefas burocráticas, enfraquece o impacto da história.
Existem momentos interessantes, como uma emboscada em determinado mapa que traz um clima mais cinematográfico. No entanto, essas sequências se estendem além do necessário. O excesso de inimigos transforma tensão em cansaço, principalmente se o jogador morrer e precisar repetir tudo.
Um jogo bom, mas atrasado
No fim das contas, Metroid Prime 4: Beyond deixa a sensação de ter sido um jogo excelente… se tivesse sido lançado há cerca de dez anos. Em 2025, ele soa datado em várias mecânicas, no ritmo e até no design estrutural.
O Switch 2 oferece melhorias visuais e carregamentos mais rápidos, mas não resolve os problemas fundamentais. A base do jogo continua presa a escolhas antigas, que hoje já não impressionam.
Veredito
Metroid Prime 4: Beyond mantém a essência da franquia, com exploração baseada em upgrades, backtracking constante e mapas variados. Visualmente, o jogo apresenta bons resultados no Switch 2, com desempenho estável e melhorias em relação ao Switch 1, embora ainda revele limitações técnicas e falta de uma otimização mais agressiva para o novo hardware.
Por outro lado, o ritmo da aventura sofre com escolhas estruturais, como o uso de um grande deserto vazio como hub, deslocamentos longos, telas de loading frequentes e progressão burocrática de alguns equipamentos. A variedade limitada de inimigos e a narrativa pouco envolvente contrastam com bons chefes e uma base de gameplay sólida, resultando em uma experiência que deve agradar fãs da série, mas que deixa clara a necessidade de modernização.
AVALIAÇÃO
História – 8,0
Gameplay – 7,5
Gráficos e áudio – 8,0
Fator replay – 7,0
Nota Final
Essa foi a nossa review de Metroid Prime 4. Confira também outras notícias da dimensão Nintendo e não deixe de dar sua opinião nos comentários.


















